
Monróvia, 05 set 2026 (Lusa) – A ex-vice-presidente liberiana Jewel Howard-Taylor, acusada e detida em agosto por envolvimento numa alegada “rede internacional de tráfico de droga”, foi libertada por “razões humanitárias” e colocada em prisão domiciliária, indicou hoje um advogado de direitos humanos.
A Libéria, país da África Ocidental, trava uma batalha contra o tráfico de droga, tendo em julho registado a maior apreensão de droga da sua história.
Jewel Howard-Taylor, de 63 anos, ex-mulher do antigo senhor da guerra e Presidente da Libéria Charles Taylor (1997-2003), foi vice-presidente do país entre 2018 e 2024, eleita como “número dois” da candidatura do Presidente George Weah.
Foi também uma senadora influente entre 2006 e 2018 e é atualmente membro de um partido da oposição, o Congresso para a Mudança Democrática (CDC).
Já na sexta-feira à noite, a equipa de Howard-Taylor tinha avançado, num comunicado divulgado na rede social Facebook, que ela tinha sido “libertada e colocada em prisão domiciliária” por “razões humanitárias”.
“Já está em casa, com a família”, afirmaram igualmente.
A sua libertação obedeceu a “condições específicas, que pretende cumprir integralmente”, acrescentaram.
Segundo a sua equipa, a ex-vice-presidente liberiana deverá, nomeadamente, entregar “todos os seus documentos de viagem” à justiça e só poderá sair da sua residência “por ordem do tribunal ou para uma deslocação ao hospital ou consulta médica”.
Howard-Taylor foi detida no aeroporto internacional Roberts, situado próximo da capital, Monróvia, quando estava prestes a abandonar o país, segundo as autoridades liberianas.
Foi indiciada em meados de agosto e encarcerada na semana passada na prisão central de Monróvia.
Os seus advogados tinham solicitado que não fosse encarcerada enquanto aguardava julgamento, argumentando que sofre de asma, um pedido que foi negado.
O Presidente da Libéria, Joseph Nyuma Boakai, assegurou na semana passada, num discurso à nação, que Howard-Taylor teria um julgamento justo.
Outras três pessoas — dois croatas e um ucraniano — foram formalmente acusadas no mesmo caso e são ainda procuradas.
O Governo liberiano lançou uma vasta operação nacional de combate à droga após apreensões recorde, incluindo a maior alguma vez realizada no país: quase quatro toneladas de cocaína, avaliadas em mais de 317 milhões de dólares (272,9 milhões de euros), descobertas em julho durante uma operação numa estrada que conduz ao aeroporto Roberts.
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