
Maputo, 20 ago 2026 (Lusa) — O antigo Presidente moçambicano Joaquim Chissano apelou hoje para a criação de uma “cultura de não corrupção” no paÃs, considerando que o combate a estas praticas deve passar pela educação cÃvica e ética da sociedade, desde a infância.
“Devemos nos unir. Na nossa educação recÃproca, autoeducação, porque é preciso criar uma cultura”, defendeu Chissano, que foi chefe de Estado moçambicano de 1986 a 2005, citado hoje pela comunicação social.
O antigo Presidente associou esse esforço à quilo que tem defendido ao longo dos anos como uma cultura de paz: “A cultura de paz é quando a paz vive em nós, então, temos que também lutar para criar uma cultura de não corrupção”.
As declarações de Joaquim Chissano surgem numa altura em que as autoridades moçambicanas investigam alegadas irregularidades financeiras no Instituto Nacional de Segurança Social (INSS), num caso que tem suscitado debate público sobre os mecanismos de prevenção e combate à corrupção e à má gestão de recursos públicos.
Segundo Chissano, a corrupção é um fenómeno antigo e não constitui uma realidade nova no contexto moçambicano. Na sua perspetiva, o desafio passa por alterar práticas e comportamentos que, em alguns contextos, são encarados com naturalidade pelas próprias comunidades.
“Se formos para lá, para o mais interior, e observarmos, vamos encontrar situações que podemos dizer que são corrupção, mas que para eles lá não são corrupção”, disse o antigo chefe de Estando.
O polÃtico assinala ainda que a mudança deve começar nas novas gerações, através de um processo de educação orientado para a integridade e para os valores éticos.
“É preciso criar uma cultura de não corrupção, em todos os homens e mulheres. Isso deve começar precisamente na juventude, ou mesmo nas crianças”, defendeu, assinalando que os adultos também devem ser envolvidos nesse processo, por terem vivido diferentes etapas da sociedade e poderem contribuir para uma reflexão mais abrangente sobre o fenómeno.
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