EUA alertam civis no Irão de que zonas residenciais usadas militarmente podem ser alvos

Nova Iorque, 08 mar 2026 (Lusa) – O Comando Central dos EUA alertou hoje que zonas residenciais no Irão usadas para operações militares podem tornar-se “alvos militares legítimos”, instando a população a permanecer em casa enquanto decorrem ataques entre Washington, Israel e Teerão.

Segundo um comunicado do Comando Central do Exército dos Estados Unidos (CENTCOM), as forças iranianas estão a utilizar cidades como Dezful, Isfahan e Shiraz para lançar drones de ataque e mísseis balísticos a partir de áreas rodeadas por civis.

Os Estados Unidos sublinharam que, de acordo com o direito internacional, locais utilizados para fins militares perdem o seu estatuto de proteção e podem transformar-se em “alvos militares legítimos”.

Perante esta situação, as forças norte-americanas instaram os cidadãos iranianos a permanecer nas suas casas.

“O regime terrorista do Irão está a ignorar flagrantemente as vidas civis ao atacar os nossos parceiros do Golfo, ao mesmo tempo que compromete a segurança do seu próprio povo”, afirmou o almirante Brad Cooper, comandante do CENTCOM.

O comando militar norte-americano acusou também Teerão de colocar em risco a segurança em todo o Médio Oriente através de ataques deliberados e indiscriminados contra infraestruturas civis, como aeroportos, hotéis e bairros residenciais.

Por fim, o Exército dos Estados Unidos sublinhou que, embora tome todas as precauções possíveis para minimizar danos colaterais, não pode garantir a segurança de civis que se encontrem perto de instalações utilizadas pelo regime para fins militares.

Ontem, o presidente norte-americano, Donald Trump, culpou o Irão — sem apresentar provas — pelo ataque a uma escola de raparigas no sul do país persa, onde morreram quase 180 pessoas no primeiro dia de ofensiva de Washington e de Israel, um episódio que grupos internacionais pedem que seja investigado como “um crime de guerra”.

“Com base no que vi, foi o Irão que fez isso”, declarou Trump à imprensa, embora o secretário da Guerra, Pete Hegseth, tenha esclarecido, ao lado do presidente, que os Estados Unidos ainda “estão a investigar” o que aconteceu.

Trump rejeitou a responsabilidade dos Estados Unidos, apesar de investigações de meios de comunicação baseadas em imagens de satélite — como uma do New York Times — indicarem que “o mais provável” é que tenham sido forças norte-americanas a atacar a escola, onde morreram quase 180 pessoas, na sua maioria raparigas, segundo a Meia-Lua Vermelha Iraniana.

A primeira semana de ataques dos Estados Unidos resultou em mais de 3.000 alvos atingidos no Irão, informou o CENTCOM na sexta-feira.

A guerra, que Israel e os Estados Unidos iniciaram com ataques aéreos a 28 de fevereiro, já matou pelo menos 1.230 pessoas no Irão, mais de 300 no Líbano e cerca de uma dúzia em Israel, de acordo com autoridades. Há também seis soldados norte-americanos entre os mortos.

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