Estudo identifica 2023 como o ano com mais ondas de calor em Cabo Verde

Praia, 03 nov 2026 (Lusa) — Um estudo sobre temperatura e saúde pública em Cabo Verde identificou 2023 como o ano com mais episódios de ondas de calor no país, com maior influência nas doenças respiratórias e uma incidência superior no período noturno.

“O estudo mostra que 2023 foi o ano com mais episódios de ondas de calor no país”, afirmou a investigadora e epidemiologista do Instituto Nacional de Saúde Pública (INSP), Gisela Garcia.

A responsável falava na cidade da Praia, à margem do diálogo nacional sobre clima e saúde, realizado no âmbito da preparação para a COP31, a 31.ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima, a decorrer a partir de segunda-feira na Turquia.

Segundo Gisela Garcia, os resultados apontam para “um maior impacto” nas doenças respiratórias, embora também tenham sido identificadas consequências nas doenças crónicas, dermatológicas e neurológicas.

A investigadora destacou ainda que a incidência das ondas de calor foi superior durante a noite, em comparação com o período diurno, um dado que poderá contribuir para orientar as políticas de mitigação.

Para reduzir os efeitos das alterações climáticas na saúde pública, o estudo propõe a criação de um sistema de alerta precoce, que passa pela recolha contínua de dados meteorológicos e de saúde, pela definição oficial das ondas de calor e pelo reforço da articulação entre as instituições.

No âmbito da componente de acompanhamento do estudo, estão a ser instalados sensores térmicos na ilha Brava, para permitir a recolha contínua de dados meteorológicos e de saúde a longo prazo.

Preparado em 2024 e implementado a partir de janeiro de 2025, o estudo incluiu seis dos 22 municípios do país: São Vicente, Sal, Praia, Ribeira Brava, Fogo e Brava.

O trabalho foi desenvolvido pelo INSP, em parceria com o Instituto de Meteorologia e Geofísica, com apoio técnico e financeiro da cooperação luxemburguesa.

Segundo a Organização Meteorológica Mundial (OMM), agência das Nações Unidas, 2025 terá sido o segundo ou terceiro ano mais quente desde que há registos, com o aquecimento dos oceanos a intensificar as tempestades e a agravar a subida do nível do mar.

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