
Oviedo, Espanha, 06 mai 2026 (Lusa) — O Prémio Princesa as Astúrias de Comunicação e Humanidades 2026, de Espanha, foi hoje atribuído aos estúdios de animação japonesa Ghibli “por terem transformado, de forma extraordinária, a criatividade em conhecimento e comunicação”.
“Com recurso a um processo artesanal altamente criativo, criaram histórias universais repletas de sensibilidade e de valores humanos: amizade, empatia, tolerância, respeito pelas pessoas e pela natureza”, justificou o júri do prémio, atribuído pela Fundação Princesa das Astúrias.
Fundados em 1985 pelos realizadores Hayao Miyazaki, Isao Takahata e pelo produtor Toshio Suzuki, os estúdios Ghibli são uma das “mais icónicas” produtoras de cinema e audiovisual de animação do mundo.
“Os filmes deste estúdio ultrapassam fronteiras e gerações e são uma referência para encarar os desafios de uma sociedade globalizada e em defesa do ambiente. Os estúdios Ghibli celebram a beleza do quotidiano e fazem do silêncio e da contemplação uma parte fundamental das suas narrativas”, elogiou o júri.
Entre as mais conhecidas produções saídas dos estúdios Ghibli contam-se, entre outros, “O meu vizinho Totoro” (1988), “Princesa Mononoke” (1997), “Viagem de Chihiro” (2001) e “Ponyo à beira mar” (2008), todos de Hayao Miyazaki, de 85 anos, e “O Túmulo dos Pirilampos” (1988) e “O conto da princesa Kaguya” (2013), de Isao Takahata, que morreu em 2018.
Com um meticuloso trabalho de desenho manual e artesanal de animação, com recurso a aguarela e acrílico, os estúdios Ghibli foram desenvolvidos depois de uma primeira experiência na animação em “Nausicaa do Vale do Vento” (1984), a partir de uma banda desenhada de Miyazaki.
Em 2023, ano em que se estreou “O rapaz e a garça”, apresentado como o derradeiro filme de Miyazaki, os estúdios Ghibli passaram a ser uma subsidiária da estação de televisão nipónica NTV.
Em 2024, num gesto inédito, o Festival de Cinema de Cannes (França) atribuiu a Palma de Ouro de Honra não a uma personalidade, mas a um projeto cinematográfico, aos estúdios Ghibli, responsáveis “por uma das grandes aventuras da cinefilia, entre a tradição e a modernidade”.
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