Escritora escocesa Ali Smith vence Prémio Literário de Dublin com “Gliff”

Dublin, 21 mai 2026 (Lusa) – O romance “Gliff”, da escocesa Ali Smith, é o vencedor do Prémio Literário de Dublin, anunciou hoje a organização, durante o Festival Internacional de Literatura da capital irlandesa.

De acordo com a decisão do júri, “‘Gliff’ “é uma obra notável e profundamente impactante” que, “através dos olhos dos dois jovens protagonistas, numa sociedade cada vez mais autoritária”, lembra “que a coragem nem sempre é ostensiva, mas tem sempre consequências”.

“Gliff” conta a história de dois jovens em situação de sem abrigo que tentam sobreviver num mundo em auto-destruição.

“A sua resiliência, a sua humanidade e a sua recusa em abandonar a esperança falam a algo intemporal dentro de todos nós”, disse Ray McAdam, presidente do Município de Dublin, que promove o prémio, no anúncio da obra vencedora.

“Numa altura em que a democracia em todo o mundo parece muitas vezes frágil, este romance é um poderoso alerta de que a liberdade, a dignidade e os valores democráticos nunca devem ser dados como garantidos”, alertou Ray McAdam.

Ali Smith, por seu lado, disse que “não podia estar mais surpreendida e encantada” por o seu romance ter recebido o Prémio Literário de Dublin.

“Este é um prémio muito valorizado entre os escritores”, disse a escritora, no discurso de aceitação. “A sensibilidade do Prémio Literário de Dublin para o que mais importa, e o seu legado profundamente literário fazem dele o melhor — um prémio que ousa ser sempre internacional e que reconhece a importância da tradução — o coração pulsante de toda a escrita”, assegurou Ali Smith.

“É um prémio cujas nomeações vêm sempre de bibliotecas públicas de todo o mundo e dos seus leitores — por outras palavras, do coração aberto do pensamento e da imaginação coletivos. É também um prémio que construiu, ao longo dos anos, a sua própria biblioteca impressionante de obras nomeadas por uma lista de escritores entre os quais tenho a gratidão de fazer agora parte”, acrescentou.

Ali Smith nasceu em Inverness, na Escócia, em 1962. Na sua carreira, recebeu alguns dos mais importantes prémios literários como o Women’s Prize for Fiction, o Goldsmiths, o Costa Book Award e o Scottish Arts Council Award. Foi também finalista do Booker Prize.

A autora está editada em Portugal pela Elsinore e a Quetzal, com obras como “Verão”, “Primavera”, “Outono”, “Inverno”, “Rapariga encontra rapaz”, “Qualquer coisa como” e “O passado é um país estrangeiro”.

O novo romance de Ali Smith competia com as obras “In late summer”, da escritora bósnia Magdalena Blazevic, “Live fast”, da francesa Brigitte Giraud, “Perspective(s)”, do escritor francês Laurent Binet, “The Emperor of Gladness”, do norte-americano Ocean Vuong, e “What I Know About You”, do canadiano Éric Chacour, numa lista de finalistas que deixou para trás obras como “Creation Lake”, da norte-americana Rachel Kushner, “Dream Count”, da nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, “Intermezzo”, da autora irlandesa Sally Rooney, “Our evenings”, do autor britânico Alan Hollinghurst, e “The Empusium”, da escritora polaca Olga Tokarczuk.

Das obras finalistas encontra-se editado em Portugal “Viver depressa”, de Brigitte Giraud, livro vencedor do Prémio Goncourt em 2022.

A lista inicial de 69 títulos candidatos ao prémio, indicada por 80 bibliotecas de 36 países, incluía o romance “Índias” do português João Morgado.

O Prémio Literário de Dublin — criado em 1994, organizado pela autarquia da capital da Irlanda e gerido pelas bibliotecas públicas da cidade — é o prémio anual mais valioso do mundo para uma única obra de ficção publicada em inglês, com um valor monetário de 100 mil euros para o vencedor.

No caso de ser uma obra traduzida, o prémio será dividido entre escritor e tradutor, nos valores de 75 mil euros e 25 mil euros, respetivamente.

O romance “The Adversary”, do escritor canadiano Michael Crummey, foi o vencedor do Prémio Literário de Dublin de 2025.

MAG (AL) // PSC

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