
Barcelona, 29 jul 2026 (Lusa) – Uma disfunção no sistema de limpeza do cérebro pode estar implicada no desenvolvimento de várias doenças neurodegenerativas, como o Alzheimer e a esclerose lateral amiotrófica (ELA), de acordo com uma investigação da Universidade de Barcelona (UB).
O estudo, publicado este mês na revista Acta Neuropathologica Communications, demonstra que os doentes com Alzheimer, ELA e degeneração lobar frontotemporal apresentam uma maior acumulação de corpos amiloides, ou “resÃduos”, pequenas estruturas que funcionam como recetáculos de resÃduos em áreas-chave do sistema de limpeza do cérebro.
Para chegar a estas conclusões, os investigadores analisaram amostras de tecido cerebral de 185 dadores, tanto saudáveis como afetados por estas doenças, noticiou na terça-feira a agência Efe.
Os resultados mostram que os recetáculos de resÃduos se acumulam repetidamente em áreas ligadas à s vias de drenagem do cérebro e são significativamente mais numerosos nos doentes com estas doenças.
Segundo os investigadores, isto sugere que o sistema glinfático (a rede microscópica responsável pela limpeza do sistema nervoso central) sofre de insuficiência crónica, perdendo a sua capacidade de eliminar os resÃduos metabólicos ao longo de um perÃodo prolongado.
O estudo, coliderado pelo professor Jordi Vilaplana (UB) e pela investigadora Laura Molina-Porcel (Hospital ClÃnic-IDIBAPS), sublinhou a importância de investigar novas estratégias para preservar ou restaurar a função do sistema glinfático.
Se a sua função puder ser melhorada, a acumulação de resÃduos metabólicos poderá ser reduzida e a progressão de doenças, retardada.
O próximo passo da equipa de investigação será realizar estudos experimentais, tanto em modelos animais como humanos, e desenvolver ferramentas que permitam a deteção destes depósitos de resÃduos através de técnicas de imagem não invasivas.
Os investigadores sublinharam ainda que “será importante alargar este tipo de análise a outras doenças neurodegenerativas”.
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