Enfermeiros lutam pela saúde mental desde o início da pandemia

Foto: JESHOOTS.COM/Unsplash
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Mais de metade dos enfermeiros e enfermeiras de cuidados a pacientes no Canadá dizem-se exaustos com a excessiva carga de trabalho e stress que vieram com a pandemia. São os resultados de duas pesquisas no setor, conduzidas pelo Oraclepoll Research e pelo Sindicato Internacional de Funcionários de Serviços.

O vírus da Covid-19 tem deixado muitos trabalhadores vulneráveis, especialmente os funcionários de linha da frente, que vêem a própria saúde mental ser afetada. Mais de metade dos enfermeiros e enfermeiras de cuidados a pacientes no Canadá dizem estar a lidar mal, ou muito mal, com o trabalho em excesso que a pandemia trouxe, e com indícios de esgotamento.

Esses relatos vêm de dois estudos conduzidos pelo Oraclepoll Research e pelo Sindicato Internacional de Funcionários de Serviços.

De acordo com o estudo da Oraclepoll Research, a pedido do Sindicato Canadiano de Funcionários Públicos (CUPE), 80% dos enfermeiros e enfermeiras de cuidados a pacientes relataram que a carga de trabalho “aumentou muito” e quase 90% concordam que “o potencial para erros médicos” também aumentou nos últimos 12 meses. E uma outra grande maioria desses funcionários está receosa de infetar os familiares que os esperam em casa.

Tudo isso contribuiu para que 3 em cada 10 profissionais inquiridos tenham considerado deixar a profissão.

Também o estudo conduzido pelo Sindicato Internacional de Funcionários de Serviços veio relatar níveis semelhantes de esgotamento. A grande maioria dos enfermeiros e enfermeiras de cuidados a pacientes inquiridos dizem que há staff insuficiente nas unidades de saúde.

Além disso, há enfermeiros e enfermeiras que estão agora a assumir funções adicionais, de forma a colmatar a falta das famílias no apoio aos pacientes.

Por todas essas razões, os auxiliares de enfermagem procuram novos empregos e os sindicatos exigem que seja dado mais apoio a este setor.

De lembrar que na passada primavera o premier de Ontário, Doug Ford, anunciou um bónus salarial pandémico de forma a reconhecer os sacrifícios que os trabalhadores essenciais fazem na luta contra a disseminação da Covid-19 na região.

Isso incluiu um aumento de 4 dólares por hora durante um período de quatro meses e uma bonificação mensal de 250 dólares caso trabalhem mais de 100 horas por mês.