
Nampula, Moçambique, 22 set 2025 (Lusa) — A Electricidade de Moçambique (EDM)registou prejuízos de cerca de 6,6 milhões de euros em 2025 na província de Nampula, no norte do país, resultantes de constrangimentos operacionais e da vandalização de infraestruturas, anunciou hoje a empresa.
“[São cerca de] 496 milhões de meticais que perdemos durante esse processo todo. Talvez dizer que esse valor poderia nos ajudar para fazer expansão, para fazer melhoramento talvez e ligar outros clientes que ainda necessitam de energia até este momento”, disse Cristiano Neves, diretor de operações da EDM em Nampula, durante uma conferência de imprensa.
Segundo o responsável, uma parte das perdas está associada à vandalização de infraestruturas elétricas, cujo impacto financeiro atualmente ronda os cerca de oito milhões de meticais(106 mil euros).
Apesar das dificuldades registadas ao longo do ano, a EDM conseguiu superar as metas definidas para novas ligações à rede elétrica na província de Nampula, avançou Cristiano Neves.
“Nas novas ligações iniciámos mal, mas até então já estamos com o nível de grau de cumprimento de 110%”, disse o diretor de operações, acrescentando que estavam previstas 77 mil novas ligações ao sistema elétrico, número que já foi ultrapassado, com 81 mil clientes atualmente integrados na rede.
“[Isso] deixa-nos satisfeitos do ponto de vista do cumprimento das nossas metas, mesmo associado aos constrangimentos iniciais do ano de 2025”, disse.
Nos últimos quatro anos, a empresa contabilizou prejuízos de 3,9 milhões de euros acumulados devido a vandalizações e roubo de material elétrico, que acaba no mercado informal, tendo sido identificadas mais de 300 sucateiras clandestinas destinadas à venda destes materiais, segundo a empresa estatal.
Moçambique alertou anteriormente para o crescimento de uma rede criminosa organizada e transnacional que se dedica ao roubo de material elétrico, pedindo esforços coletivos dos países da região austral de África, quando países como África do Sul, Maláui, Tanzânia e Essuatíni já adotaram medidas, incluindo a proibição da exportação de sucata de cobre e a criminalização da vandalização das infraestruturas elétricas.
Dados da estatal apontam que a província da Zambézia, no centro de Moçambique, lidera a lista dos casos de roubos de material elétrico, seguida de Inhambane, no sul do país.
Em 02 de setembro, a EDM contabilizou prejuízos de cerca de 17 milhões de meticais (227 mil euros) decorrentes de roubo e vandalização de transformadores elétricos neste ano, com pelo menos cinco detidos em Nampula.
EYMZ/LN // VM
Lusa/Fim
