
Vários candidatos das eleições provinciais do Quebec estão a ser alvo de ameaças. Alguns tiveram mesmo de mudar de casa por causa de episódios de intimidação, que dizem estar “fora do controlo”. A polícia diz que este tipo de comportamento aumentou com a pandemia.
A campanha eleitoral do Quebec está a ser marcada por ameaças contra os candidatos. Ao que dizem os políticos, estes episódios estão a ultrapassar os limites e a ficar “fora do controlo”.
Enquanto isso, as autoridades dão conta de um aumento significativo de comportamentos de intimidação política desde o início da pandemia da Covid-19.
De acordo com a polícia do Quebec, 20 pessoas foram presas desde o início da campanha por ameaças contra políticos ou por danos a propriedades relacionadas com as eleições.
Um candidato da Coalition Avenir Québec (CAQ) disse ao conselho da polícia que os seus filhos e a sua parceira tiveram mesmo de sair de casa, por causa de ameaças.
Ao que conta Gilles Bélanger, recentemente foi seguido por um carro. No dia seguinte, às 5h, viu um homem na sua propriedade arborizada em Magog, no leste do Quebec.
E Bélanger não é o único caso. Éric Lefebvre, outro candidato da CAQ em Arthabaska, conta que um desfile de cerca de duas dúzias de carros passou por sua casa à noite. Os condutores insultaram Lefebvre e o líder da CAQ, François Legault, com palavrões.
A sua filha de 16 anos, que enfrenta uma deficiência, recusa-se agora a sair de casa.
Há quem interprete este ambiente tenso na política canadiana, dizendo tratar-se de uma importação dos Estados Unidos. Thomas Juneau, professor de ciência política da Universidade de Ottawa, acha que a radicalização associada ao ex-presidente Donald Trump chegou ao Canadá.
Algumas pessoas sentem-se legitimadas a criticar violentamente as instituições, “de uma forma que há pouco tempo era considerada excessiva”.



