Eleições antecipadas: Trudeau dissolveu o parlamento antes do prazo

Foto: Direitos Reservados
Foto: Direitos Reservados

Os canadianos voltarão às urnas menos de dois anos desde as últimas eleições. Confira os pormenores desta polémica decisão do Primeiro-Ministro Justin Trudeau

Menos de dois anos depois de terem ido às urnas, os canadianos terão que mais uma vez escolher seus representantes para a Câmara dos Comuns. Mesmo diante do curto tempo desde a última eleição e da ameaça da perigosa variante Delta da Covid-19, o primeiro ministro do Canadá, Justin Trudeau, avaliou que este seria o melhor momento para novas eleições e anunciou no último domingo, que pediu à governadora-geral Mary Simon, a dissolução do parlamento e a convocação de novas eleições federais.

Ao contrário do que acontece em outras democracias na América, como no Brasil e nos EUA, a constituição do Canadá não estabelece prazos fixos para a convocação de eleições. O texto constitucional apenas estabelece um limite máximo de até cinco anos entre eleições. Em tese, eleições podem ser convocadas a qualquer momento dentro desse prazo, seja porque o primeiro-ministro solicitou a dissolução do Parlamento ou porque a Câmara dos Comuns perdeu a confiança no primeiro-ministro e houve uma perda na governabilidade.

Para eleger um novo parlamento e um novo primeiro-ministro, o Canadá é dividido em 338 zonas eleitorais. Cada zona elege um representante. O primeiro-ministro é eleito de forma indireta. O partido que eleger mais representantes, indica o primeiro-ministro, que por sua vez pode formar um governo de maioria ou de minoria, a depender da quantidade de representantes eleitos pelo seu partido. Governos de maioria são formados quando o partido do primeiro-ministro ocupa mais da metade das cadeiras do parlamento canadiano, ou seja, mais de 170 representantes. Governos de minoria são formados quando o partido do primeiro-ministro tem a maioria das cadeiras, porém menos da metade, ou seja, menos de 170 representantes eleitos.

Nas últimas eleições, em 2019, o partido Liberal de Justin Trudeau conseguiu receber mais votos que os demais partidos, mas não conseguiu formar um governo de maioria, o que força o governo Trudeau a ter que negociar com outros partidos para conseguir aprovar as suas legislações.

A razão por detrás dessa eleição antecipada pode estar no aumento de popularidade do governo Trudeau depois do relativo sucesso dos programas emergenciais de transferência de renda durante a pandemia e do bom desempenho da campanha de vacinação contra a Covid-19. Com uma melhora na percepção sobre o partido Liberal, Trudeau poderia ser reeleito e governar um parlamento majoritário em que teria maior liberdade para aprovar novas leis.

Atualmente, Trudeau governa um parlamento de minoria. O partido de Liberal de centro esquerda, lidera o parlamento com 155 representantes e o primeiro-ministro. Na oposição, o partido de direita, Conservadores, têm 119 representantes eleitos. O Bloc Quebecois, partido que defende a independência da província do Quebec, tem 32 representantes. À esquerda, os Novos Democratas, têm 24 cadeiras. Os demais assentos são ocupados por representantes independentes e pelo partido verde.

Em entrevista coletiva na manhã do último domingo, Justin Trudeau defendeu a convocação das eleições

Líderes dos demais partidos criticaram a decisão de Trudeau. Os eleitores estão divididos sobre a necessidade e a segurança de uma eleição antecipada durante uma pandemia.

E no mesmo dia em que Justin Trudeau anunciou a antecipação das eleições, diversos políticos correram para lançar a sua candidatura. Em Davenport, lar da maior comunidade portuguesa no Canadá, a representante Liberal Julie Dzerowicz já anunciou que pretende se reeleger e defendeu a decisão do primeiro ministro de antecipar as eleições para este ano.

As novas eleições Federais ocorrerão no próximo dia 20 de Setembro e caso os eleitores não se sintam seguros a votar presencialmente, poderão, como em anos anteriores, votar pelo correio.