Electrolux vai aumentar capital em 830 ME e cortar 3.000 empregos

Estocolmo, 23 abr 2026 (Lusa) — O grupo sueco de eletrodomésticos Electrolux anunciou um aumento de capital de 9 mil milhões de coroas (830 milhões de euros) e uma reorganização da produção, com a eliminação de 3.000 empregos em dois anos em todo o mundo.

Num comunicado hoje divulgado, a Electrolux disse que pretende “melhorar a eficiência em todos os níveis da sua organização, em particular através de uma otimização direcionada da sua presença industrial global, de modo a reforçar ainda mais a sua flexibilidade”, explica o grupo numa declaração.

A Electrolux, que emprega cerca de 39.000 pessoas, também estabeleceu uma parceria com o fabricante chinês Midea para formar uma ‘joint-venture’ que assumirá parte da produção do grupo na América do Norte, segundo o comunicado.

A parceria levará à perda de 1.500 empregos este ano, principalmente na América do Norte.

A fábrica de Anderson (Carolina do Norte), que fabrica equipamentos de refrigeração, cessará esta atividade para se concentrar em equipamentos de lavandaria. Em troca, a empresa conjunta que vai assumir este local planeia contratar 1.200 pessoas no próximo ano e em 2028.

Entre outros cortes de empregos, a Electrolux anunciou recentemente o encerramento da sua fábrica em Santiago, no Chile, e a cessação da produção no seu local húngaro em Jaszbereny, resultando na eliminação de 400 e 600 empregos, respetivamente.

Contactada pela Lusa, fonte oficial da Eletrolux disse que a empresa tinha, no final do ano, 19 trabalhadores em Portugal, sobretudo em vendas e marketing. “O nosso enfoque estratégico para o futuro é em atividades ligadas ao consumidor, vendas locais e marketing. Não temos produção em Portugal”, esclareceu.

Os proveitos do aumento de capital de 9 mil milhões de coroas serão usados em particular para a parceria com a Midea e para o plano de reorganização e poupança.

Serão destinados ainda cerca de 4 a 5 mil milhões de coroas (371 a 463 milhões de euros) ao reforço do balanço “para proporcionar ao grupo a flexibilidade financeira e resiliência necessárias no atual ambiente competitivo e difícil de mercado, ao mesmo tempo que implementa as suas iniciativas estratégicas”.

A holding da família Wallenberg, Investor AB, maior acionista do grupo com quase 18% das ações, anunciou que subscreveria o aumento de capital em consonância com a sua participação e que garantia a subscrição por um montante equivalente.

A Morgan Stanley e a SEB também garantiram a subscrição do montante restante da recapitalização.

 

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