
Pemba, Moçambique, 19 out 2026 (Lusa) – Duas pessoas foram mortas a tiro na aldeia Litamanda, distrito de Macomia, na província moçambicana de Cabo Delgado, disseram hoje à Lusa fontes locais, garantindo tratar-se de um ataque dos grupos insurgentes que atuam naquela região.
Segundo as fontes, as vítimas foram mortas a tiros na sexta-feira, após serem surpreendidas pelos supostos terroristas durante a visita que faziam às áreas de cultivo, na zona de Manangene, a cerca de 11 quilómetros da aldeia, localizada ao longo da estrada Nacional 380 (N380).
“Foram surpreendidas pelos terroristas e aí acabaram baleados mortalmente”, disse uma fonte, familiar de uma das vítimas deste ataque, que aconteceu no limite com o distrito de Muidumbe, através do rio Messalo.
Acrescentou que a zona de Manangene é de grande potencial de mangas e a comunidade local comercializa a fruta ao longo da N380.
“Lá muita gente tem mangueiras e é por isso que quando chega este tempo, vai-se controlar para não roubarem porque virou negócio na estrada”, explicou.
Os corpos das vítimas foram enterrados na aldeia, com apoio das Forças de Defesa e Segurança moçambicanas.
Na semana passada, um grupo de rebeldes atacou a aldeia próxima de Chai, onde baleou dois civis e saqueou alimentos em residências.
Província rica em gás natural, Cabo Delgado, norte de Moçambique, é assolada desde 2017 por uma insurgência armada que já provocou mais de 6.600 mortos e de 1,2 milhão de deslocados desde então, segundo organizações internacionais.
Incidentes associados ao conflito em Cabo Delgado aumentaram 10% no primeiro semestre, face a 2025, com os raptos a serem cada vez mais usados para resgates e recrutamento forçado, incluindo de crianças.
A conclusão consta do relatório “Moçambique: O custo da inação”, divulgado pelo Gabinete das Nações Unidas para a Coordenação de Assuntos Humanitários (OCHA), divulgado em setembro, que descreve um agravamento da situação de segurança no norte do país e alerta para o impacto crescente da violência sobre civis.
Segundo o documento, “nos primeiros seis meses de 2026, foram registados mais de 400 incidentes de conflito, 10% mais do que no mesmo período de 2025”, incluindo episódios como homicídios, destruição de habitações, pilhagens e raptos.
Atualmente, cerca de 1,38 milhões de pessoas vivem com as consequências da deslocação em Cabo Delgado, incluindo aproximadamente 662 mil deslocados internos e 722 mil habitantes que regressaram às respetivas zonas de origem.
“Por detrás destes números estão famílias repetidamente forçadas a abandonar as suas casas, crianças cuja educação foi interrompida e comunidades cujos meios de subsistência e acesso a serviços básicos foram destruídos”, refere a ONU.
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