
Maputo, 14 jul 2026 (Lusa) — O distrito da Gorongosa, no centro de Moçambique, quer melhorar a produção de café e de mel para avançar com a certificação e internacionalização, avançou hoje o administrador local, apelando ao financiamento do processo.
“Nós projetamos a exportação [do mel], mas precisa de certificação. Passa por muitos processos para certificação e eu tenho fé que o Governo e o Parque Nacional de Gorongosa estão a trabalhar no sentido da sua certificação para que, de facto, ele consiga entrar noutros mercados e, quando você tira um produto, tem de ter quantidade suficiente para oferecer”, disse o administrador do distrito de Gorongosa, Pedro Mussengue, em entrevista à Lusa.
Segundo o responsável, o distrito pretende aumentar a produção do café de Gorongosa, na provÃncia de Sofala, centro do paÃs, que já está internacionalizado, e acelerar a produção de mel, já consumido em todo o paÃs, para assegurar a sua exportação.
“A nossa aposta é internacionalizar tudo o que se produz na Gorongosa. O mel, o café, a banana. Por exemplo, a banana agora já exportamos, de forma tÃmida, para o Maláui (…) nós produzimos muita mapira. A nossa mapira sai da Gorongosa para o Maláui”, disse o responsável, acrescentando que estão a ser dados passos largos para a referida entrada da produção agrÃcola do distrito em mercados internacionais.
“A certificação implica custos, mas, acima de tudo, [faltam] recursos e parceiros que possam aumentar a assistência, porque você não vai querer internacionalizar uma produção de mel, de facto, com cerca de 500 produtores. Temos de ter milhares de pessoas a produzir em escala e, de facto, isso precisa de um grande investimento”, acrescentou Mussengue.
Para atrair parceiros de cooperação para estes projetos, o distrito projeta uma grande conferência de investimentos para expor as suas potencialidades, indicando que o foco é, sobretudo, encontrar oportunidades para que jovens e mulheres possam desenvolver os seus negócios localmente.
Mais de mil agregados familiares estão envolvidos na cadeia de produção de mel e mais de 1.500 na produção de café, segundo dados do administrador do distrito, que pretende aumentar estes números nos próximos tempos.
O distrito tem uma fábrica de processamento de mel e outra de café, com o administrador a salientar que estas infraestruturas já constituem um ganho para um distrito que foi um dos epicentros da guerra civil, estando entre os que mais avançam no processamento local dos produtos, rumo à independência económica do paÃs.
“Nós não pedimos, não somos de mão estendida, de pedir dinheiro. Nós pedimos, de facto, intervenções. Por exemplo, nós temos em manga para assistir um pouco mais de 100 ou 200 famÃlias em atividade de apicultura. O que queremos para a apicultura? São colmeias melhoradas, todo aquele equipamento para o apicultor e vamos ao terreno. A floresta está lá, a serra está lá, as matas estão lá. Nós vamos produzir e capacitamos as famÃlias”, frisou o administrador.
Neste sentido, o distrito quer também expor as suas potencialidades na produção de banana, batata e abacates, contando este último produto com campos de 80 hectares, convidando, por isso, engenheiros agrónomos a apostarem no distrito para desenvolver a agricultura.
De acordo com as autoridades, a Gorongosa produz cerca de cinco toneladas de café a cada três meses, sendo os principais paÃses compradores Portugal, Inglaterra e Estados Unidos da América, mas “Moçambique é o primeiro consumidor”, dispondo também de uma fábrica com capacidade para processar 300 quilogramas de mel por dia.
Na mesma entrevista, o responsável disse que este ano ainda não há registos de caça furtiva envolvendo os ‘big five’ no Parque Nacional de Gorongosa, que se encontra no distrito.
“Pessoalmente digo e defendo que a conservação da biodiversidade deve ser de acordo com o equilÃbrio. O equilÃbrio que eu defendo é que o homem é muito valoroso. Os animais também são muito importantes para a vida humana. Então, a flora, a fauna e o homem, todos devem coexistir”, disse o administrador.
“É óbvio que o conflito homem-animal está lá. Mas nós apostamos seriamente no diálogo com as comunidades. O diálogo permanente com o próprio parque e temos um comité onde discutimos os problemas da zona tampão, onde, de facto, são sempre reportados alguns problemas”, acrescentou.
Segundo o responsável, o aumento de projetos de desenvolvimento que ajudam a combater o desemprego e a fome está na origem da redução dos casos de caça furtiva no parque, exemplificando com a produção de peixe em tanques como uma das iniciativas que ajudam as comunidades a apoiarem a conservação.
O Parque Nacional de Gorongosa está localizado na provÃncia de Sofala, no centro de Moçambique, no distrito do mesmo nome, situado no limite sul do grande Vale do Rift Africano, que conta agora com cerca de 230 mil habitantes, de acordo com dados do administrador, que também admitiu um aumento da população animal na área de conservação.
*** Serviço áudio disponÃvel em www.lusa.pt ***
*** Pretilério Matsinhe, da agência Lusa ***
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