Disparidades sociais entre as comunidades étnicas aumentadas pela pandemia

FOTO: UNSPLASH
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A pandemia da Covid-19 piorou as disparidades nas comunidades étnicas do Canadá, de acordo com um recente estudo publicado no Canadian Medical Association Journal.

Uma pesquisa publicada no Canadian Medical Association Journal, na última segunda-feira, mostrou que a perda de empregos agravou a insegurança alimentar e habitacional para as minorias, tal como imigrantes e comunidades de refugiados. Violência familiar, prevenção da Covid-19 e saúde mental estavam entre as principais preocupações durante a pandemia.

Para reunir as descobertas, a Universidade de Alberta uniu-se a trabalhadores comunitários da Multicultural Health Brokers Cooperative que apoia os recém-chegados a Edmonton, para recolher mais de 700 histórias de pessoas.

“A mensagem principal é que as comunidades de minorias etnoculturais ou racializadas são populações que requerem mais atenção e políticas apropriadas”, disse Yvonne Chiu, coautora do estudo e codiretora executiva da Multicultural Health Brokers Cooperative.

A pandemia desestabilizou famílias étnicas e forçou-as a gastarem mais tempo e dinheiro para sustentar os entes queridos.

O que piorou as situações para as pessoas foi não conseguirem falar inglês com fluência; serem incapazes de encontrar informações fáceis de entender e não terem feito o pagamento de uma licença médica para se isolarem.

Desde o início da pandemia, defensores e profissionais de saúde pública de linha da frente têm pressionado por recursos em vários idiomas e licenças por doença pagas para todos.

Durante a primeira fase da pandemia, o Statistics Canada descobriu que as infeções por Covid-19 eram três vezes mais altas, as taxas de hospitalizações eram quatro vezes maiores e as mortes eram duas vezes superiores em bairros com maiores concentrações das minorias.

Os especialistas médicos antirracismo já atribuíram grande parte da culpa dos piores resultados de saúde ao racismo e às desigualdades estruturais na comunidade médica.

Outros estudos mostram que as minorias têm maior probabilidade de trabalhar nas indústrias mais afetadas pela pandemia, como alimentação e serviços de hotelaria.

E, ao olhar para as taxas de desemprego, um relatório do Statistics Canada de março constatou que o desemprego continua mais alto entre os indígenas. Já um relatório de outubro descobriu que o não emprego para os imigrantes recentes atingiu o pico em abril de 2020, com 17,3%. Superior aos 13,5% entre os imigrantes há mais tempo no Canadá e nascidos no país da América do Norte.

Os autores da pesquisa mais recente disseram que os trabalhadores comunitários de saúde também ajudaram muito algumas famílias a navegarem pelos sistemas de saúde e assistência social.

“A intermediação cultural e o capital social da comunidade foram os principais apoios para as pessoas na crise da Covid-19 e as nossas descobertas podem apoiar políticas e intervenções que podem reduzir os danos e apoiar a resiliência da comunidade”, disseram os autores da pesquisa, publicada no Canadian Medical Association Journal.