
BrasÃlia, 16 jul 2026 (Lusa) — O ministro das Relações Exteriores do Brasil, Mauro Vieira, classificou hoje de “grosseiras e arrogante” as declarações do Secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, que atacou o Presidente brasileiro, Lula da Silva.
“As declarações do Secretário de Estado Marco Rubio veiculadas na madrugada de hoje nas redes sociais a respeito das tarifas adotadas contra o Brasil são inaceitáveis e ofensivas ao povo e ao Governo brasileiros”, declarou Mauro Vieira, em conferência de imprensa.
Poucas horas após os EUA confirmarem a aplicação de tarifas de 25% a produtos brasileiros, a partir do dia 22 de julho, Marco Rubio usou as redes sociais para acusar Lula de “colocar seu próprio ego à frente de fazer um acordo pelo bem-estar do povo brasileiro, e essas tarifas são o preço por isso”.
Para Mauro Vieira, “claramente, o que incomoda o Governo dos Estados Unidos é o facto de o Brasil não ter se curvado à s pretensões desmedidas e à s demandas irrazoáveis apresentadas durante o curso das negociações”.
O chefe da diplomacia brasileira fez questão de destacar que o Governo brasileiro realizou mais de 30 reuniões presenciais, virtuais ou telefónicas com autoridades norte-americanas desde março de 2025.
“Esse engajamento de alto nÃvel buscou, de forma persistente, uma saÃda negociada e pacÃfica para o impasse”, afirmou.
Somente com o Representante de Comércio dos EUA (USTR), Jamieson Greer, e com o próprio Marco Rubio, citou Vieira, foram realizados 11 contatos bilaterais diretos, incluindo encontros oficiais entre os próprios chefes de Estado.
Segundo Mauro Vieira, as negociações falharam porque a administração norte-americana não buscava um acordo comercial mútuo e equilibrado, mas sim submissão económica total.
“Cito, como exemplo, demandas de abertura total, irrestrita e exclusiva aos Estados Unidos de setores inteiros da economia brasileira, sem qualquer contrapartida para os produtos brasileiros. Em outras palavras, exigiam uma capitulação”, revelou categoricamente o responsável pela diplomacia brasileira.
Vieira enfatizou que as exigências americanas ignoravam o amplo benefÃcio que o mercado norte-americano já obtém em território nacional.
O ministro contextualizou que o Brasil já vinha sofrendo pressão desde o anúncio do aumento de tarifas, em 02 de abril de 2025, quando o paÃs foi taxado em 10%.
No entanto, as hostilidades aumentaram após o Presidente dos EUA, Donald Trump, enviar uma carta oficial a Lula em 09 de julho de 2025, em que as tarifas foram elevadas para 50%.
Neste caso, Mauro Vieira referiu a pressão da Casa Branca para tentar interferir no julgamento do ex-presidente brasileiro Jair Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal brasileiro por golpe de Estado.
“Após a carta do Presidente Trump ao Presidente Lula (…) as tarifas foram elevadas a 50%, por expressa motivação polÃtica, em tentativa de interferência no Poder Judiciário brasileiro”, declarou.
Segundo Vieira, “foi justamente nessa carta – em que o Presidente Trump ameaçou o Brasil com tarifas de 50%”, que foi dada a instrução ao Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR, em inglês) para que iniciasse a investigação comercial contra o Brasil.
“Não houve, portanto, racionalidade na aplicação de tarifas. As alegações e declarações de autoridades americanas sobre o PIX são descabidas (…) Não é sério falar em competição desleal gerada pelo PIX”, completou.
“As acusações sobre desmatamento também são absurdas. (…) Esses são apenas dois exemplos. Todas as alegações dos norte-americanos para justificar a aplicação de tarifas não têm lastro na realidade”, criticou.
Esta reação dura do Itamaraty ocorre após o USTR confirmar, na quarta-feira, a aplicação da nova tarifa, que entra em vigor em 22 de julho, com uma lista de exceções.
Pouco tempo após o anúncio dos EUA, o Palácio do Planalto divulgou uma nota, ainda na madrugada de hoje, em que classificou como um “marco lastimável” na relação bilateral a decisão de Washington de aplicar a tarifa, e que vai acionar a Lei de Reciprocidade contra os norte-americanos.
Mauro Vieira deixou o local sem responder a questões dos jornalistas, nomeadamente à pergunta da Lusa sobre quando seria aplicada a Lei da Reciprocidade.
MYMA // MLL
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