Díli e Woodside vão assinar acordo para estudos para processar e exportar gás para Timor-Leste

Díli, 22 nov 2025 (Lusa) – O Governo de Timor-Leste autorizou hoje, em reunião extraordinária do Conselho de Ministros, o ministro do Petróleo a assinar o acordo de cooperação com a australiana Woodside Energy para estudos para processar e exportar gás para o país.

“O Conselho de Ministros deliberou conceder plenos poderes ao ministro do Petróleo e Recursos Minerais, Francisco da Costa Monteiro, para, em nome do Governo, assinar o Acordo de Cooperação com a Woodside Energy, Ltd. sobre o projeto TLNG1 [Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste] e Gasoduto e Desenvolvimento do Campo do Greater Sunrise”, pode ler-se no comunicado divulgado.

Segundo o Governo timorense, o acordo “representa um importante passo para a avaliação técnica, comercial e regulatória conjunta de uma futura unidade de LNG em território timorense”.

“As negociações conduzidas pelo Ministério do Petróleo e Recursos Minerais com a Woodside Energy, titular de direitos sobre o campo do Greater Sunrise, criaram as condições necessárias para formalizar esta cooperação, que permitirá aprofundar os estudos essenciais ao desenvolvimento do projeto”, salienta o comunicado.

Com a assinatura do acordo, as autoridades timorenses avançam no “processo de implementação de uma visão que procura reforçar a industrialização energética nacional, promover a diversificação económica e garantir que o aproveitamento dos recursos do Greater Sunrise contribui de forma direta para o desenvolvimento nacional”.

A Austrália e Timor-Leste realizaram, em outubro, negociações bilaterais para desenvolver o projeto Greater Sunrise, incluindo mecanismo de governação e os regimes fiscais do projeto.

No início de novembro, o Governo timorense aprovou uma despesa de 13,9 milhões de euros para desenvolver o campo de gás Greater Sunrise e realizar os estudos necessários para garantir a construção do gasoduto até Timor-Leste.

“O montante autorizado abrange a realização de levantamentos geofísicos e sismos de ultra-alta resolução relativos ao gasoduto de exportação de gás do Greater Sunrise e ao gasoduto de Bayu-Udan, essenciais para a fase técnica e de planeamento do projeto”, explicou na altura o Governo.

Localizado a 150 quilómetros de Timor-Leste e a 450 quilómetros de Darwin, o projeto Greater Sunrise tem estado envolto num impasse, com Díli a defender a construção de um gasoduto para o sul do país e a Woodside, segunda maior parceira do consórcio, a inclinar-se para uma ligação à unidade já existente em Darwin.

O consórcio é constituído pela timorense Timor Gap (56,56%), a operadora Woodside Energy (33,44%) e a Osaca Gás (10,00%).

O impasse levou a ‘joint venture’ a solicitar um estudo conceptual elaborado pela empresa britânica Wood, que confirmou que a viabilidade do desenvolvimento do Greater Sunrise em Timor-Leste.

“A opção Gás Natural Liquefeito de Timor-Leste (TLNG, sigla em inglês) destaca-se por prever menores custos operacionais e, ao permitir melhores retornos gerais diretos e indiretos para Timor-Leste, criará um grande impacto socioeconómico no país”, refere o Governo timorense.

O executivo salienta também que o Greater Sunrise em Timor-Leste, segundo o estudo, poderá ter um “maior impacto positivo no Produto Interno Bruto e na criação de empregos, sendo igualmente a que apresenta os maiores retornos para o consórcio de desenvolvimento” daquele campo de gás.

O acordo de fronteira marítima permanente entre Timor-Leste e a Austrália determina que o Greater Sunrise, um recurso partilhado, terá de ser dividido, com 70% das receitas para Timor-Leste no caso de um gasoduto para o país, ou 80% se o processamento for em Darwin.

A ligação do gasoduto ao sul de Timor-Leste é considerada, pelas autoridades timorenses, como estratégica para o crescimento económico do país.

Na reunião, o Governo aprovou também os termos de referência de um concurso, a ser lançado no final deste mês, para a concessão de licença de prospeção e pesquisa para minerais metálicos, gemas, minerais industriais, minérios radioativos e minérios de terras raras.

“A avaliação das propostas terá lugar entre junho e julho de 2026, com o anúncio dos resultados previsto para julho e a emissão das licenças programada para agosto de 2026”, acrescenta o comunicado.

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