
Madrid, 25 fev 2026 (Lusa) – Investigadores desenvolveram um método para identificar remotamente um dispositivo móvel, que pode ajudar a garantir que um telemóvel não foi adulterado durante o fabrico, reduzindo assim o risco de espionagem.
Uma equipa de investigação da Universidade do Colorado em Boulder e do Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia (NIST, nos Estados Unidos) referiu, na sua publicação na revista ‘AIP Advances’, da AIP Publishing, que com o aumento dos ciberataques e das fugas de dados governamentais, um dos dispositivos mais importantes que deve ser mantido seguros é aquele que está no bolso de todos, os smartphones.
O problema é que é difícil verificar se um smartphone não foi adulterado sem correr o risco de o danificar acidentalmente, noticiou na terça-feira a agência Europa Press.
Quando os smartphones comunicam com uma torre de telemóvel, emitem um conjunto de ondas eletromagnéticas. Utilizando cartões SIM e um emulador de estação base que cumpre as normas de rádio celular, os investigadores instruíram um conjunto de telemóveis “fiáveis” (dispositivos reconhecidamente não modificados) a transmitir exatamente os mesmos sinais.
Isto permitiu a criação de uma base de dados com a aparência real destes sinais para diferentes modelos de telefone, servindo como impressões digitais dos modelos.
“Imaginem que todos os telefones estavam a tocar a mesma música. Mesmo que emitam as mesmas notas, cada modelo apresenta pequenas diferenças microscópicas no seu hardware interno”, explicou a autora Améya Ramadurgakar, da Universidade do Colorado.
“O nosso sistema é sensível o suficiente para detetar estas subtis diferenças sonoras”, garantiu.
Ao comparar os sinais emitidos por um dispositivo desconhecido com a base de dados, os investigadores podem determinar se o dispositivo foi adulterado, ou seja, se os seus sinais não correspondem a nenhuma das impressões digitais fiáveis.
Os investigadores testaram este processo em vários smartphones de última geração disponíveis comercialmente, de fabricantes líderes no mercado nacional, conseguindo uma precisão superior a 95%.
Estes resultados foram repetíveis e estáveis ao longo do tempo. Uma vez que o método se centra no comportamento eletromagnético fundamental do hardware, não se limita às atuais redes móveis 4G e 5G e poderá ser alargado a futuras gerações de tecnologias celulares.
Ramadurgakar realçou que este método estabelece as bases para a estrutura de testes do Instituto Nacional de Metrologia.
Para formalizar esta solução, os investigadores precisam de expandir a sua biblioteca de fontes fiáveis para ter em conta possíveis pequenas variações entre lotes de fabrico, desenvolver condições de teste padronizadas e criar um processo mais automatizado.
“Este trabalho demonstra uma abordagem fundamental para obter uma impressão digital de alta definição, fiável e estável de um smartphone comercialmente disponível, de forma a verificar se não foi adulterado ou comprometido antes de ser distribuído”, sublinhou Ramadurgakar.
“Prevejo que isto será utilizado para validar o hardware móvel antes de ser entregue a utilizadores de alta segurança, como a cadeia de comando militar ou altos funcionários do governo”, concluiu.
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