
Washington, 13 mar 2026 (Lusa) – Senadores democratas apresentaram hoje uma resolução para impedir qualquer ação militar contra Cuba ordenada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sem a autorização explícita do Congresso, num momento de crescente pressão de Washigton sobre aquele país.
A proposta de lei, que poderá ser submetida a votação dez dias após ter sido apresentada no Senado, é impulsionada pelos legisladores Tim Kaine, Adam Schiff e Rubén Gallego, que acusaram Trump de ter “ignorado a autoridade exclusiva do Congresso para declarar a guerra nos ataques contra o Irão e a Venezuela”.
Esta resolução é a medida legislativa mais recente com a qual os democratas tentam limitar a capacidade de Trump para ordenar ações militares contra outras nações.
Ambas as câmaras do Congresso, dominadas pelos republicanos, rejeitaram anteriormente resoluções semelhantes para impedir as hostilidades contra a Venezuela e o Irão.
“Após o recente bloqueio imposto pelo presidente Trump e as suas ameaças de ação militar em Cuba, apresento esta Resolução sobre os Poderes de Guerra com o objetivo de impedir que as nossas Forças Armadas se envolvam em hostilidades a menos que tenham a autorização do Congresso”, afirmou Kaine num comunicado.
O ex-candidato democrata à vice-presidência dos EUA e membro dos Comités de Serviços Armados e Relações Exteriores do Senado insistiu em que apenas o Legislativo “possui a faculdade de declarar guerra”.
“No entanto, ele [Trump] age como se as Forças Armadas americanas fossem a sua guarda palaciana, ordenando ações militares nas Caraíbas, na Venezuela e no Irão sem autorização do Congresso nem qualquer explicação ao povo americano”, criticou Kaine.
Embora os democratas consigam que a medida seja aprovada, algo improvável devido ao apoio que Trump mantém entre a sua bancada, o presidente tem a capacidade de a vetar.
E para anular o veto seria necessária uma maioria de dois terços em ambas as câmaras.
Trump e a sua Administração não informaram previamente o Congresso sobre o ataque com o qual os EUA capturaram em Caracas o ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro e alertaram um reduzido grupo de líderes legislativos na antecâmara da ofensiva contra o Irão, que já cumpre o seu décimo quarto dia de ataques.
O presidente republicano, Donald Trump, ameaçou nas últimas semanas tomar o controlo da ilha comunista, seja de forma “amistosa” ou hostil, e repetiu que o Governo de Havana “cairá muito em breve” porque o país “está em ruínas”, afetado pelo bloqueio de petróleo imposto por Washington em janeiro passado.
Hoje, o presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, confirmou que dialogam com os EUA para “procurar soluções pelo caminho do diálogo sobre as diferenças entre ambos os Governos”, algo que Trump já tinha adiantado, mas que a ilha tinha negado.
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