Debate Sobre a Exportação de Gás Natural Liquefeito Entre Canadá e Alemanha

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Em Berlim, ao lado do chanceler alemão Friedrich Merz, o primeiro-ministro canadiano Mark Carney anunciou que o governo vai financiar novos projetos de infraestrutura portuária. Entre eles está a expansão do Porto de Montreal, que poderá aumentar a capacidade em 40%, e a revitalização do Porto de Churchill, em Manitoba, apontado como porta de saída para gás natural liquefeito e minerais estratégicos.

O ministro da Energia, Tim Hodgson, admite que o objetivo é exportar para a Alemanha no prazo de cinco anos. Especialistas, no entanto, duvidam da rapidez do processo, lembrando falhas passadas e obstáculos no licenciamento de grandes projetos energéticos.

A questão da viabilidade económica também voltou ao debate. Em 2022, o então primeiro-ministro Justin Trudeau duvidava do “business case” para o Canadá se tornar fornecedor de gás natural à Europa, devido à distância dos campos de produção. Hoje, Hodgson garante que a guerra na Ucrânia e a procura crescente tornam o gás natural essencial como combustível de transição, sobretudo para a Alemanha.

O Canadá já iniciou exportações de LNG para a Ásia a partir de Kitimat, na British Columbia, e tem mais cinco terminais em desenvolvimento, todos voltados para o mercado asiático. Projetos na costa atlântica têm enfrentado maior resistência: o de Saguenay foi rejeitado em 2021 e a expansão da unidade de Saint John caiu em 2023 por falta de investidores.

Agora, o governo federal coloca os novos investimentos na lista de “interesse nacional”. Mas críticos lembram que serão precisos novos gasodutos desde o Oeste canadiano, negociações com comunidades locais e aprovação ambiental.

Enquanto isso, os Estados Unidos já se consolidaram como o maior exportador mundial de LNG e preparam-se para aumentar em 50% a sua capacidade até ao próximo ano. Analistas avisam que, se o Canadá perder esta oportunidade, será um dos maiores fracassos económicos das últimas décadas.