
Matosinhos, Porto, 03 ago 2026 (Lusa) – Os cruzeiros atracados no porto de Leixões vão, a partir de 2029, reduzir as suas emissões de dióxido de carbono até 90%, fruto de um sistema de abastecimento de energia em terra, que permite aos navios desligarem os motores.
“Os navios de cruzeiro que atracam no Porto de Leixões passam a poder operar sem recurso a geradores a diesel enquanto estão atracados, eliminando o consumo de combustÃvel durante a estadia em porto”, pode ler-se hoje num comunicado da VINCI Energies, que vai implementar o sistema através das marcas Omexom e Actemium.
De acordo com o comunicado, “a mudança será possÃvel com a implementação de um sistema OPS (‘Onshore Power Supply’) [abastecimento de energia em terra], atualmente em desenvolvimento pela VINCI Energies em Portugal para o Terminal de Cruzeiros, no âmbito de um projeto estratégico conduzido pela APDL — Administração dos Portos do Douro, Leixões e Viana do Castelo”.
“Esta solução permite reduzir significativamente as emissões de CO2 [dióxido de carbono] durante as escalas dos navios, [entre 70% e 90% por escala], que se mantêm habitualmente em funcionamento durante várias horas”, adianta a empresa, salientando que esta solução vai reduzir “o consumo de combustÃvel” e diminuir “o impacto ambiental”.
O sistema “vai permitir que os navios se liguem diretamente à rede elétrica em terra, o que garante a alimentação de todos os seus sistemas elétricos e operacionais durante a atracagem”, descreve a empresa.
“Durante uma escala, um navio de cruzeiro pode consumir energia equivalente à de milhares de habitações, com necessidades que podem atingir 50 a 70 MWh [megawatt-hora] por escala, pelo que essa necessidade passa a ser assegurada pela rede elétrica em terra, em substituição dos geradores a diesel”, refere.
Assim, o novo sistema “disponibilizará até 16 MVA [megavolt-ampere] de potência, o suficiente para abastecer uma pequena cidade de 5.000 famÃlias”, permitindo que os navios de cruzeiro “desliguem os motores e se tornem mais silenciosos e com menor impacto ambiental no Porto de Leixões”, em Matosinhos, distrito do Porto.
“Numa abordagem faseada, o sistema assegura numa primeira fase uma capacidade de 8 MVA, evoluindo para a capacidade total instalada”, e será “adaptado à s diferentes caracterÃsticas dos navios, através de fornecimento a 50 ou 60 Hz [hertz] e tensões de 6,6 kV [quilovolt] ou 11 kV, o que garante a compatibilidade com a diversidade de frotas que escalam o porto”.
A infraestrutura vai incluir “uma subestação ‘shore-side’ [na costa], alimentada a partir da infraestrutura elétrica existente no terminal e equipada com sistemas de conversão de frequência e tensão, e um sistema móvel de gestão de cabos (CMS), que permite a ligação segura e eficiente dos navios à rede elétrica”, integrando ainda “um sistema de controlo e monitorização automatizados, bem como uma plataforma SCADA [Controlo Supervisor e Aquisição de Dados], que assegura a supervisão em tempo real e a futura integração numa gestão centralizada do porto”.
De acordo com Gonçalo Sampaio, diretor da Omexom Portugal, esta solução traduz o que acredita “ser o futuro dos portos: operações mais limpas, eficientes e tecnologicamente avançadas”, pois “reduz emissões, melhora a qualidade ambiental local e reforça a competitividade do terminal perante as novas exigências das companhias de cruzeiros”.
Já o presidente da APDL, João Pedro Neves, diz que a implementação deste sistema “representa um passo decisivo na estratégia de descarbonização do porto e na melhoria da relação entre a atividade portuária e a cidade”, reduzindo “o ruÃdo e o impacto ambiental durante as escalas, o que reforça também a posição de Leixões como um porto moderno e preparado para responder à s novas exigências ambientais da indústria de cruzeiros e acelera a transição energética no setor marÃtimo-portuário”.
JE // LIL
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