
Sabia que os médicos recebem menos dinheiro por operarem mulheres no Canadá? Os dados chegam numa altura em que foi revelado o novo relatório que destaca a crise dos cuidados de saúde no Canadá. O país da América do Norte registou uma queda de 13% nas cirurgias nos primeiros anos da pandemia de Covid-19.
Um novo relatório destaca a grande queda de cirurgias no Canadá durante os primeiros anos da pandemia da Covid-19, com a maior diminuição de procedimentos observada em Newfoundland and Labrador.
Os resultados foram divulgados na quarta-feira, 2 de agosto, pelo Instituto Canadiano de Informação sobre Saúde (CIHI), uma organização independente que recolhe e analisa dados sobre os sistemas de saúde.
A equipa de investigadores descobriu que foram realizadas cerca de 743 mil cirurgias a menos no Canadá durante os primeiros 2 anos e meio da pandemia, representando assim uma queda de cerca de 13% em comparação com 2019.
Apesar da queda nas cirurgias, as horas extraordinárias nos hospitais públicos do Canadá de 2020 a 2021 aumentaram 15% em relação ao ano anterior.
Os resultados também chamaram a atenção para outras questões, incluindo a falta e o esgotamento dos trabalhadores, os níveis de acesso a informações pessoais de saúde e os cerca de um em cada 10 canadianos que afirmam não ter um prestador de cuidados de saúde regular.
Na mesma altura, um novo estudo publicado no Canadian Journal of Surgery sugere que o “sexismo cirúrgico” está presente no sistema de cuidados de saúde do Canadá, revelando que os médicos recebem, em média, 28% menos por operações efetuadas em mulheres do que por procedimentos semelhantes realizados em homens.
Por exemplo, um cirurgião recebe 50% a mais para destorcer um testículo do que para destorcer um ovário, apesar de este último exigir um procedimento interno mais técnico.
Das oito províncias, a maior discrepância foi registada em Saskatchewan, onde os médicos recebem menos 67% pelos procedimentos efetuados em mulheres, seguida de British Columbia, com 61%. Em Ontário, onde a discrepância é de 24%, a diferença é “menor, mas ainda assim significativa”.
