Cotação do Brent sobe quase 5% para mais de 87 dólares após exigências do Irão aos EUA

Londres, 10 ago 2026 (Lusa) – A cotação do barril de petróleo Brent para entrega em outubro terminou hoje em alta de 4,99%, para 87,72 dólares, após novas exigências do Irão aos Estados Unidos que diminuem a probabilidade de um acordo no Médio Oriente.

O crude do Mar do Norte, de referência na Europa, fechou a sessão no mercado de futuros do Intercontinental Exchange de Londres a cotar 4,17 dólares acima dos 83,55 dólares com que encerrou as transações na sexta-feira.

O Brent começou a semana com uma escalada significativa após Teerão ter anunciado no fim de semana seis condições a Washington para a reabertura do estreito de Ormuz, incluindo o pagamento de indemnizações de guerra, o levantamento das sanções e do bloqueio naval e a libertação de fundos iranianos congelados.

O porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão, Ismail Baqaei, insistiu hoje que o Irão não está atualmente em conversações de paz com os Estados Unidos.

“Permanecemos em estado de guerra”, garantiu, embora tenha reconhecido que há uma troca de mensagens através de intermediários.

Baqaei esclareceu ainda que o potencial acordo com o Omã em relação ao estreito de Ormuz se limita a uma rota de navegação segura e não significa a reabertura do estreito, por onde passavam aproximadamente 20% das exportações globais de petróleo antes da guerra.

O Irão mantém o estreito de Ormuz fechado desde meados de julho, após o retomar dos ataques aéreos norte-americanos contra o sul do país, aos quais Teerão respondeu atacando alvos e interesses norte-americanos em países do Médio Oriente.

Os Estados Unidos, por sua vez, reimplantaram um bloqueio naval aos portos e embarcações iranianos.

O responsável pelas relações com clientes da Kudo.com, Konstantinos Chrysikos, realçou hoje, numa análise enviada à agência EFE, que a subida dos preços do crude se deve à “persistente incerteza” em torno do processo diplomático no Médio Oriente e da situação no Estreito de Ormuz.

“A falta de clareza quanto à possibilidade de uma reabertura completa da rota marítima (estreito de Ormuz) pode expor os preços do crude a uma volatilidade significativa”, acrescentou Chrysikos.

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