
Maputo, 14 jul 2026 (Lusa) — Moçambique vai contar com o primeiro laboratório dedicado ao estudo do mel e reforçar a investigação sobre café sustentável, através de dois projetos apoiados por Portugal, Brasil e Argentina para promover biodiversidade e desenvolvimento rural, foi hoje anunciado.
Os dois projetos, apresentados em Maputo pela Cooperação Portuguesa, são desenvolvidos no âmbito da cooperação triangular promovida por Portugal e envolvem universidades, parques nacionais e instituições públicas dos três paÃses, procurando criar soluções sustentáveis para a valorização dos recursos naturais, o reforço da investigação cientÃfica e a capacitação de uma nova geração de especialistas moçambicanos.
A coordenadora do ProMEL, Cristina Máguas, explicou que a segunda missão do projeto serviu para acompanhar a implementação das atividades no terreno, harmonizar metodologias entre os parceiros e reforçar o trabalho desenvolvido por investigadores, estudantes e apicultores nas áreas de intervenção, recordando que a primeira missão do projeto foi “muito importante”, por ter permitido “a escolha dos locais, aferir os métodos com os alunos, com os técnicos”.
“E esta segunda missão foi, por um lado, verificar como é que todo este trabalho estava a ser desenvolvido (…) encontrar mais apicultores”, disse Cristina Máguas, à margem da apresentação sobre os projetos ProMEL – Mel e Apicultura em Moçambique: Promoção do Desenvolvimento Sustentável e Conservação da Biodiversidade e TRICAFÉ II — Produção Sustentável de Café em Sistema Agroflorestal.
Segundo a responsável, está igualmente em curso, no Instituto Superior Politécnico de Manica (ISPM), no centro do paÃs, a instalação do primeiro laboratório moçambicano inteiramente dedicado ao estudo do mel, com financiamento do Instituto Camões, que permitirá analisar a origem botânica através do pólen, bem como as caracterÃsticas fÃsicas, quÃmicas, enzimáticas e sensoriais do produto, reforçando a investigação cientÃfica e a certificação da qualidade.
“É um laboratório que estamos a implementar completamente dedicado ao mel”, garantiu.
Cristina Máguas acrescentou que o ProMEL trabalha com milhares de apicultores em Moçambique, sobretudo nos parques nacionais de Chimanimani, em Manica, e da Gorongosa, em Sofala, combinando investigação cientÃfica, formação académica e transferência de conhecimento para melhorar a produção apÃcola e promover práticas sustentáveis nas comunidades locais.
Já a coordenadora do Tricafé II e investigadora do Instituto Superior de Agronomia (ISA) da Universidade de Lisboa, Ana Ribeiro, explicou que o projeto apoia os programas de restauração florestal através da produção de café em sistemas agroflorestais e da formação de jovens investigadores especializados num setor ainda pouco desenvolvido em Moçambique.
“O projeto Tricafé visa apoiar os esforços que o Parque Nacional de Chimanimani e o Parque Nacional da Gorongosa estão a fazer de restauro dos ecossistemas florestais”, afirmou Ana Ribeiro.
A responsável explicou que, após uma primeira fase, entre 2017 e 2023, centrada na avaliação do desempenho do sistema agroflorestal de café na Gorongosa, o projeto entrou, em 2024, numa segunda etapa, alargada a Chimanimani, dedicada à monitorização da recuperação da floresta, ao estudo de espécies nativas de café e ao desenvolvimento de cafés de especialidade, incluindo uma fase piloto de fermentação.
“Moçambique é o segundo maior centro de endemismo de espécies de café. As espécies silvestres são muito mais resilientes”, afirmou.
Segundo os promotores, os projetos ProMEL e Tricafé II pretendem criar ligações entre universidades, instituições públicas, parques nacionais, parceiros internacionais e comunidades locais, contribuindo para a conservação da biodiversidade, a valorização sustentável dos recursos naturais e o desenvolvimento cientÃfico e económico de Moçambique.
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