Comissão Europeia avalia reforço da presença da Frontex no enclave e mais apoio em Ceuta

Bruxelas, 03 set 2026 (Lusa) — A Comissão Europeia mostrou-se hoje disponível para avaliar um reforço da presença da Frontex em Ceuta e o alargamento do apoio, depois de Espanha pedir um destacamento permanente da agência europeia de fronteiras no enclave.

“Já existe uma presença da Frontex em Ceuta, nos portos. O que está agora em causa é avaliar onde mais a Frontex pode prestar apoio e também de que forma a presença que já existe pode ser mantida”, disse o porta-voz da Comissão Europeia para a área dos Assuntos Internos, Markus Lammert.

Falando na conferência de imprensa diária da instituição, em Bruxelas, o porta-voz sublinhou que o executivo comunitário “ofereceu apoio desde o primeiro dia, tanto no que diz respeito ao apoio financeiro, como à assistência das agências”.

Está em causa o apoio da Agência Europeia da Guarda de Fronteiras e Costeira (Frontex), Agência da União Europeia para a Cooperação Policial (Europol) e Agência da União Europeia para o Asilo, que apoiaram Espanha na sequência da crise migratória em Ceuta.

Durante uma intervenção no parlamento nacional de Espanha, o chefe do governo, Pedro Sánchez, anunciou que Espanha vai solicitar à Frontex uma presença permanente no porto e no quebra-mar de Ceuta, bem como uma missão específica da Europol para monitorizar a migração irregular.

“Já recebemos pedidos das autoridades espanholas – não hoje, mas já anteriormente – tanto de financiamento de emergência como de apoio por parte das agências e estamos a avançar, com caráter prioritário, na avaliação desses pedidos”, adiantou Markus Lammert.

O primeiro-ministro espanhol disse estar consciente das “dúvidas e indícios” sobre o ocorrido em Ceuta em julho, mas garantiu não existirem, até agora, provas de uma ação “desenha ou executada” por Marrocos.

Questionado sobre esta questão, o porta-voz da Comissão Europeia escusou-se a fazer “comentários sobre fugas de informação”.

“Temos conhecimento de que está a decorrer uma investigação por parte das autoridades espanholas e esta é uma questão que cabe às autoridades nacionais, pelo que não tenho qualquer comentário a fazer”, concluiu.

Mais de 70.000 pessoas entraram ilegalmente em Ceuta entre 30 e 31 de julho, naquilo que o primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, qualificou como uma “violação da integridade territorial de Espanha” e pela qual responsabilizou as máfias de tráfico de seres humanos que deturparam uma sentença recente sobre devoluções de migrantes que chegam a Espanha a nado.

Mais de 90% das pessoas que entraram ilegalmente no enclave espanhol no norte de África, que tem fronteira com Marrocos, saíram de Ceuta nas horas e nos dias imediatos, mas pelo menos 5.000 permanecem na cidade, incluindo milhares que estão nas ruas.

Sánchez considerou que Espanha e a Europa foram alvo de um ataque em Ceuta que usou a imigração e no qual estiveram também envolvidos Israel e Rússia, com a amplificação nas redes sociais de desinformação relativa ao ocorrido.

 

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