
Bogotá, 27 set 2026 (Lusa) – Pelo menos 112 líderes sociais foram assassinados na Colômbia entre janeiro e agosto passado, anunciou hoje a Provedoria da Justiça, alertando que, nesse período, ocorreram também 86 massacres que provocaram 326 vítimas mortais.
“Defender os direitos é um direito. As mulheres líderes protegem o território e o seu trabalho não deve ser estigmatizado nem tornar-se um fator de risco para a sua vida e integridade”, lê-se num comunicado da Provedoria da Justiça, citado pela agência de notícias Efe.
Segundo a Provedoria, dos líderes assassinados, 91 eram homens e 21 mulheres.
Com 21 casos, o departamento com o maior número de vítimas mortais é o Cauca (sudoeste), onde opera o Estado-Maior Central (EMC), a maior dissidência das FARC, a guerrilha do Exército de Libertação Nacional (ELN) e outros grupos de narcotraficantes.
No que diz respeito aos massacres, a Provedoria garantiu que ocorreram em 23 dos 32 departamentos colombianos e que “Cauca, Antioquia e Vale do Cauca concentram o maior número de casos”.
A Provedoria da Justiça destacou que entre janeiro e agosto de 2025 foram assassinados 10 ex-combatentes que assinaram o acordo de paz entre o Governo colombiano e a guerrilha das FARC em 2016.
Em maio passado, o Comité Internacional da Cruz Vermelha alertou que as consequências do conflito armado na Colômbia atingiram, em 2025, o nível “mais grave da última década”, com um forte aumento dos deslocamentos, confinamentos, desaparecimentos e vítimas de explosivos.
De acordo com o balanço anual do Comité Internacional da Cruz Vermelha, em 2025, pelo menos 235.619 pessoas foram deslocadas individualmente, 87.069 em movimentos em massa e 176.730 permaneceram confinadas devido a ações de grupos armados.
Em comparação com 2024, todos os indicadores registaram um aumento significativo. Ou seja, as deslocações individuais cresceram 100%, as deslocações em massa aumentaram 111%, os confinamentos 99%, as vítimas de engenhos explosivos 34% e os novos casos de desaparecimento documentados pelo CICR cresceram 22%, de acordo com o relatório.
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