
Maputo, 26 mai 2021 (Lusa) – A Comissão Nacional de Eleições (CNE) de Moçambique defendeu hoje a integração de conteúdos sobre democracia e eleições nos programas escolares para as crianças e jovens do paÃs visando o desenvolvimento do processo democrático.
Em entrevista hoje à Lusa, o presidente da CNE, Carlos Matsinhe, advogou que as crianças e os jovens moçambicanos devem começar a aprender sobre processos eleitorais desde cedo.
“Nós tivemos um encontro com a ministra da Educação e Desenvolvimento Humano [Carmelita Namashulua] há cerca de três semanas e uma das questões que levantámos foi, de facto, a necessidade de se começar uma educação sobre a democracia e eleições à s crianças o mais cedo possÃvel”, afirmou Matsinhe.
O presidente da CNE falava à margem de um debate sobre “Processos eleitorais em Moçambique: Lições, desafios e caminhos para a reforma”, inserido no seminário “Indução Temática da Nova CNE”.
Os conteúdos letivos em vigor nos ensinos primário e secundário já incorporam matérias sobre pleitos eleitorais e democracia, mas a CNE e o Governo moçambicano pretendem que a abordagem desses tópicos seja permanente, acrescentou.
Nesse sentido, prosseguiu, é necessário “melhorar e ampliar esses conteúdos, para que sejam uma parte integrante dos currÃculos, de forma permanente”.
A CNE e o Ministério da Educação e Desenvolvimento Humano decidiram criar uma comissão visando a avaliação da incorporação de matérias sobre democracia e eleições de forma sistemática, avançou Carlos Matsinhe.
O presidente da CNE enfatizou a necessidade de a inserção de conteúdos sobre escrutÃnios e democracia acontecer antes das eleições autárquicas de 2023 e gerais de 2024.
“O nosso desejo como CNE é garantir que durante este ano de 2021 ou 2022 se criem condições para uma maior educação cÃvica eleitoral não somente nas escolas, mas a todos os nÃveis, de tal maneira que a educação cÃvica eleitoral não seja apenas nos momentos de campanha eleitoral”, destacou.
O fraco exercÃcio da cidadania e os elevados Ãndices de abstenção nas eleições têm sido apontados em vários estudos como uma das fragilidades da democracia moçambicana.
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