China planeia novas medidas para impulsionar consumo interno no segundo semestre

Macau, China, 22 ago 2026 (Lusa) – A China está a planear introduzir um novo pacote de políticas e medidas para incentivar o consumo interno na segunda metade deste ano, revelou esta sexta-feira o vice-ministro das Finanças do país, Liao Min.

Segundo a agência Xinhua, durante em conferência de imprensa em Pequim, Liao anunciou que o Ministério das Finanças chinês irá formular e aplicar “medidas práticas e eficazes” em função da evolução macroeconómica na segunda metade do ano, com as políticas fiscais do país a continuar a centrar-se na aceleração da utilização de fundos e na expansão da procura interna.

Liao considerou que expandir a procura interna tornou-se cada vez mais importante para a China sustentar o crescimento e reforçar a resiliência da economia perante incertezas externas, com país atualmente o segundo maior mercado mundial de consumo de bens e o maior mercado de retalho online.

Este ano, o Ministério das Finanças chinês já destacou 187,5 mil milhões de yuan (25,7 mil milhões de euros) para apoiar programas de incentivo ao consumo, que geraram 178 milhões de compras e vendas combinadas de aproximadamente 1,32 biliões de yuan (181,9 mil milhões de euros).

Foram também introduzidos subsídios de juros para empréstimos de consumo pessoal e para empresas do setor dos serviços, além de medidas de apoio ao emprego e ao empreendedorismo em grupos prioritários.

Segundo o ministério, desde 01 de agosto todas as compras em prestações com cartão de crédito, incluindo automóveis e renovação de habitações, passaram a estar incluídas no quadro de apoio, com consumidores chineses a poder beneficiar de subsídios de juros sempre que utilizem este mecanismo.

O número de instituições financeiras autorizadas a tratar de subsídios de juros para empréstimos a micro, pequenas e médias empresas e ao setor dos serviços, por exemplo, aumentou de cerca de 100 para 400, indicou a agência Xinhua.

Ao mesmo tempo, os limites de empréstimo ao abrigo da política de subsídios de juros foram elevados de 50 milhões de yuan (6,9 milhões de euros) para 75 milhões de yuan (10,3 milhões de euros) para micro, pequenas e médias empresas, e de 10 milhões de yuan (1,4 milhões de euros) para 20 milhões de yuan (2,7 milhões de euros) para negócios do setor dos serviços.

O teto para empréstimos de consumo pessoal subiu também de 3.000 yuan (410 euros) para 5.000 yuan (690 euros).

Em comentários ao jornal Global times, o académico Hu Qimu, da Universidade Huaqiao, indicou que as novas medidas demonstram que o Governo chinês está a dar maior ênfase ao uso de fundos fiscais como alavanca para mobilizar recursos financeiros adicionais para a economia real.

A procura de consumo está a tornar-se cada vez mais um motor central do crescimento económico da China. O país tem uma população de 1,4 mil milhões e um grupo de rendimento médio superior a 400 milhões de pessoas, segundo o Ministério das Finanças.

Em 2025, as vendas a retalho a atingiram 50 biliões de yuan (6,9 biliões de euros) e o consumo final contribuiu com 52% para o crescimento económico.

No primeiro semestre de 2026, o crescimento económico e o consumo interno da China enfrentaram uma desaceleração, devido a fatores como incertezas económicas e dificuldades persistentes no setor imobiliário.

O crescimento do PIB da China desacelerou no segundo trimestre deste ano para 4,3% em relação ao mesmo período do ano anterior, o valor mais baixo em três anos.

Atualmente, o Fundo Monetário Internacional (FMI) projeta um crescimento de 4,6% para a economia chinesa em 2026, graças principalmente a investimentos em infraestrutura pública, indústria de alta tecnologia, e exportações nas áreas da inteligência artificial e energia verde.

NCM // NCM

Lusa/Fim