China apela ao Camboja para “erradicar totalmente” centros de burla

Phnom Penh, 23 abr 2026 (Lusa) — O chefe da diplomacia chinesa, Wang Yi, apelou hoje ao Camboja para “erradicar totalmente” os centros de fraude ‘online’ que proliferam no país, durante um encontro com o primeiro-ministro cambojano, Hun Manet, em Phnom Penh.

O Camboja tornou-se, nos últimos anos, um dos principais polos de cibercriminalidade, onde burlões, por vezes a trabalhar sob coação, enganam internautas em todo o mundo, nomeadamente através de falsas relações amorosas ou investimentos em criptomoedas.

Sob pressão de vários países, incluindo a China, de onde são oriundos muitos dos autores e vítimas, as autoridades cambojanas, acusadas de durante anos terem fechado os olhos ao fenómeno, dizem estar agora a combater com firmeza esta indústria, avaliada em milhares de milhões de euros.

“As atividades criminosas transfronteiriças relacionadas com jogos de azar e burlas comprometem a segurança das pessoas e dos seus bens”, afirmou Wang Yi a Hun Manet, segundo um comunicado divulgado pelo ministério dos Negócios Estrangeiros chinês.

“É preciso combatê-las com firmeza e erradicá-las completamente”, acrescentou Wang Yi, ao lado do ministro da Defesa chinês, Dong Jun.

Pequim e Phnom Penh mantêm estreitas relações comerciais, diplomáticas e militares, tendo Wang Yi voltado a elogiar uma amizade “verdadeiramente inabalável”.

O Camboja tem vindo a intensificar esforços para não comprometer os laços com a China, o seu principal parceiro comercial.

Em fevereiro, Hun Manet prometeu “limpar tudo isto”, referindo-se aos centros de burla, e, no mês seguinte, o Governo aprovou um projeto de lei que prevê penas severas para os envolvidos em cibercrimes.

O líder cambojano indicou ainda ter discutido com os responsáveis chineses temas como política, comércio, investimento, defesa e infraestruturas de transporte.

Relativamente ao conflito com a Tailândia, Wang Yi manifestou apoio à normalização das relações bilaterais, após confrontos mortais em 2025 na fronteira comum.

A China “está disposta a oferecer uma plataforma para uma comunicação mais abrangente e eficaz entre os dois países” e a prestar ajuda humanitária para a reinstalação de populações nas zonas fronteiriças cambojanas, acrescentou.

Um cessar-fogo foi alcançado a 27 de dezembro, mas a situação permanece frágil, com Camboja e Tailândia a acusarem-se mutuamente de violar a trégua.

 

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