Cheias em Moçambique provocaram prejuízos equivalentes a 2% do PIB – Finanças

Beira, Moçambique, 01 out 2026 (Lusa) – As cheias que afetaram Moçambique durante a última época chuvosa provocaram prejuízos equivalentes a cerca de 2% do Produto Interno Bruto (PIB), obrigando à mobilização de recursos, disse hoje a ministra das Finanças.

“As inundações que assolaram o nosso país entre dezembro de 2025 e janeiro de 2026 foram das mais severas da última década”, disse a ministra Carla Loveira, na abertura do II Conselho Coordenador do Ministério das Finanças, ao traçar o balanço dos principais desafios enfrentados pelas finanças públicas este ano.

“Causaram mais de 100 mortes, afetaram cerca de 724 mil pessoas, com 691 mil pessoas diretamente atingidas e milhares de casas destruídas, e, segundo o balanço da época chuvosa, mais de 1,078 milhões de moçambicanos foram afetados, pressionando as contas públicas, com um impacto de cerca de 2% do PIB”, disse ainda.

Segundo Carla Loveira, os fenómenos climáticos extremos continuam a representar uma ameaça significativa ao desenvolvimento económico e social do país, obrigando à mobilização de recursos adicionais para resposta e recuperação.

“As províncias de Gaza e Maputo foram as mais fustigadas, com escolas destruídas, estradas cortadas e mais de 700 mil agricultores com meios de subsistência comprometidos. O fenómeno impõe-nos uma nova normalidade: cada evento climático é um choque fiscal, que exige reconstrução, proteção social e resiliência orçamental”, destacou.

Esta realidade, enfatizou, obriga a todos, em especial o setor das finanças, “a abandonar a lógica de reagir depois da emergência e a adotar uma cultura de prevenção antecipatória”.

“Significa incorporar o risco climático na elaboração do Orçamento, proteger dotações essenciais, criar instrumentos de resposta rápida e avaliar projetos públicos pela sua capacidade de resistir a choques. Reconstruir melhor não pode ser apenas uma expressão: deve traduzir-se em escolas mais seguras, estradas mais resilientes, sistemas de drenagem funcionais e mecanismos de proteção social capazes de chegar às famílias antes que a vulnerabilidade se transforme em pobreza permanente”, defendeu.

Segundo a ministra, a pressão sobre as contas públicas resultante das cheias obrigou igualmente o Governo a ajustar prioridades e reforçar a mobilização de recursos internos. Nesse contexto, a revisão do Plano Económico e Social e Orçamento do Estado (PESOE) de 2026 elevou a previsão de recursos internos em 3.600 milhões de meticais (49 milhões de euros), passando de 442,9 mil milhões de meticais (seis mil milhões de euros) para 446,5 mil milhões de meticais (6.100 milhões de euros).

O aumento resulta da incorporação de receitas adicionais provenientes dos projetos de gás natural liquefeito da Bacia do Rovuma, disse ainda, acrescentando que o reforço da arrecadação interna assume particular importância numa fase em que o país enfrenta pressões acrescidas sobre a despesa pública associadas à reconstrução de infraestruturas e ao reforço da resiliência climática.

Carla Loveira defendeu ainda que as receitas provenientes dos recursos naturais devem ser utilizadas de forma estratégica para apoiar investimentos capazes de aumentar a resistência da economia aos choques climáticos e reduzir vulnerabilidades estruturais.

“Devemos garantir que os recursos estratégicos do país contribuam para a transformação estrutural da economia e para o bem-estar das gerações atuais e futuras”, afirmou.

A ministra referiu que a crescente frequência de eventos climáticos extremos reforça a necessidade de conciliar políticas de desenvolvimento com medidas de adaptação às alterações climáticas, sobretudo num país frequentemente afetado por cheias, ciclones tropicais e secas.

Segundo os dados apresentados, os impactos climáticos constituem um dos principais riscos para o desempenho económico e para a execução das políticas públicas, obrigando à afetação recorrente de recursos para apoio às populações afetadas e reconstrução de infraestruturas danificadas.

A governante considerou que a crescente frequência de eventos extremos exige uma integração cada vez maior entre as políticas económicas, orçamentais e de adaptação climática, de forma a reduzir os custos futuros das calamidades naturais sobre as finanças públicas.

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