Cheias causam perdas de 40,1 ME no setor ferroviário moçambicano

Maputo, 25 abr 2026 (Lusa) – A Portos e Caminhos de Ferro de Moçambique (CFM) registou prejuízos de 47 milhões de dólares (40,1 milhões de euros), resultantes de cargas não transportadas e destruição de infraestruturas e equipamentos provocadas pelas cheias no país, foi hoje anunciado.

“Trata-se de valores significativos que poderão comprometer os resultados previstos para 2026, caso não adotemos medidas eficazes. Recorde-se que em 2025 enfrentámos prejuízos decorrentes de atos de vandalização associados às manifestações pós-eleitorais”, disse o presidente do Conselho de Administração dos CFM, Agostinho Langa, citado hoje numa nota daquela estatal moçambicana.

De acordo com o documento, a empresa estima ter perdido, até 17 de abril, cerca de 47 milhões de dólares, dos quais 12,75 milhões de dólares (10,88 milhões de euros) correspondem a perdas por cargas não transportadas e 25 milhões de dólares (21,3 milhões de euros) referentes a custos de reparação e reposição de infraestruturas e equipamentos.

Sobre os prejuízos decorrentes das manifestações, os CFM explicam que, apesar dos danos nas linhas sob gestão da empresa, foram transportadas 14,3 milhões de toneladas de carga diversa, representando um incremento de 11%, em relação a 2024, e os portos manusearam 13,2 milhões de toneladas, representando um crescimento de 0,5%.

Entretanto, a empresa assinala que no mesmo período o transporte de passageiros apresentou um decréscimo de 12%, ao registar seis milhões de passageiros, contra 6,8 milhões transportados em 2024.

“Este desempenho produtivo resultou num rendimento económico-financeiro positivo. É assim que, as vendas de serviços cresceram 3% em relação a igual período de 2024 e os resultados, antes de impostos, foram na ordem de 4.947 milhões de meticais, o equivalente a 77,3 milhões de dólares [65,9 milhões de euros], correspondendo a um crescimento de 15%”, referiu Agostinho Júnior.

Com isso, os CFM explicam que os resultados operacionais atingiram 1.891,62 milhões de meticais (25,3 milhões de euros), contra 2.476,3 milhões meticais (33,1 milhões de euros) atingidos em 2024, o que representa uma redução de 24%, influenciados, segundo a estatal, entre outros, pelo impacto das manifestações pós-eleitorais, acidentes e incidentes ferroviários, a drástica redução dos volumes de carvão na linha de Sena e os elevados custos sociais.

Na segunda-feira, os CFM avançaram ter somado prejuízos de 12 milhões de dólares (10 milhões de euros) com a interrupção da circulação de comboios na Linha do Limpopo, prevendo a retoma em 01 de maio.

“O nosso plano inicial era termos reaberto a linha em meados de março (…), nós estamos com a linha fechada há cerca de três meses, são cerca de 130 comboios que não conseguimos fazer e vamos em cerca de 12 milhões de dólares de prejuízos do tráfego que não fizemos nessa linha do Zimbabué para Maputo. Temos muitos minérios, o crómio sobretudo”, disse na altura Agostinho Langa.

Esta linha ficou severamente afetada pelas cheias e inundações que assolaram sobretudo a região sul de Moçambique em janeiro, com os CFM a avançarem agora com as obras de reabilitação da linha, prevendo a retoma da circulação de comboios em 01 de maio, com investimento nesses trabalhos de até 25 milhões de dólares (21,2 milhões de euros), conforme adiantou Agostinho Langa.

O número de mortos na atual época das chuvas em Moçambique ascende a 311, com 1,07 milhões de pessoas afetadas, desde outubro, 24.229 casas parcialmente destruídas, 11.996 totalmente destruídas e 209.219 inundadas, com um total de 304 unidades de saúde, 109 locais de culto e 764 escolas afetadas em menos de seis meses, segundo atualização de 31 de março do Instituto Nacional de Gestão e Redução do Risco de Desastres (INGD).

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