
Berlim, 13 abr 2026 (Lusa) — O chanceler alemão, Friedrich Merz, instou hoje o primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, a pôr fim aos combates no sul do Líbano e a iniciar conversações de paz diretas com o Governo libanês.
Segundo um porta-voz do Governo alemão, numa conversa telefónica com Netanyahu, Merz expressou também “profunda preocupação” com a evolução da situação nos territórios palestinianos e sublinhou que não deve haver “qualquer anexação parcial ‘de facto’ da Cisjordânia”.
Dirigindo-se ao homólogo israelita, Merz acrescentou que “a Alemanha está pronta para contribuir para assegurar a liberdade de navegação no estreito de Ormuz”, mas apenas após o “fim das hostilidades” e “desde que as condições necessárias sejam reunidas”, de acordo com o porta-voz.
A 02 de março, o Líbano foi arrastado para o conflito regional desencadeado a 28 de fevereiro por uma ofensiva dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão, quando o movimento xiita libanês Hezbollah, aliado de Teerão, efetuou um ataque com morteiros a Israel, que desde então tem bombardeado intensamente o sul do país, primeiro com ataques aéreos e depois com operações terrestres com artilharia e blindados.
Apesar do cessar-fogo de duas semanas acordado a 07 de abril entre os Estados Unidos e o Irão, que, em princípio, devia aplicar-se a ambas as partes no conflito e respetivos aliados, Netanyahu declarou que este não abrangia o Líbano e o seu Exército lançou horas depois a maior vaga de ataques aéreos sobre o país desde o início da guerra.
Em apenas dez minutos, bombardeou 100 alvos em território libanês, fazendo pelo menos 254 mortos e 1.165 feridos, segundo a Defesa Civil libanesa.
Este número vem somar-se aos mais de 1.500 mortos e milhares de feridos no Líbano registados desde 02 de março, e a mais de um milhão de civis deslocados no país, o que representa mais de um sexto da população libanesa, na sequência de ordens de evacuação do sul do território emitidas pelo Exército israelita.
Na Faixa de Gaza, as autoridades, controladas pelo movimento islamita palestiniano Hamas, indicaram que pelo menos 723 pessoas foram mortas e 1.990 ficaram feridas em ataques israelitas desde o cessar-fogo acordado a 10 de outubro de 2025 para aplicar o plano de paz do Presidente norte-americano, Donald Trump, para o enclave palestiniano.
Foram também recuperados 759 corpos em zonas das quais as tropas israelitas retiraram, segundo o Ministério da Saúde de Gaza.
O Ministério precisou ainda que, desde o início da guerra de Israel na Faixa de Gaza, em retaliação ao ataque de 07 de outubro de 2023 perpetrado pelo Hamas em território israelita – que fez cerca de 1.200 mortos e 251 reféns, segundo a contagem oficial -, foram documentados 72.302 mortos e 172.090 feridos palestinianos, embora ainda existam corpos debaixo dos escombros e nas ruas, pelo que o número de vítimas poderá aumentar.
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