
Lisboa, 15 abr 2026 (Lusa) – O Conselho das Finanças Públicas (CFP) está mais pessimista quanto ao crescimento da economia portuguesa, que antecipa que será de 1,6% em 2026, segundo as Perspetivas Económicas e Orçamentais divulgadas hoje.
A instituição reviu em baixa a previsão em 0,2 pontos percentuais face ao cenário de setembro, quando projetava um crescimento de 1,8%, um registo “ainda assim superior às últimas projeções disponíveis para a área do euro”, lê-se no relatório.
Esta revisão acontece depois das tempestades sentidas entre janeiro e fevereiro, particularmente na região Centro, com a recuperação a enfrentar alguns desafios, além da “possível inviabilização de projetos de investimento face ao risco de repetição de fenómenos semelhantes”.
Além disso, o conflito no Médio Oriente afeta também a atividade económica, sendo que para Portugal, que é importador líquido de petróleo e gás natural, existe um efeito direto no preço dos consumidores mas também efeitos indiretos nos custos de produção, bem como impactos na confiança, nas cadeias de abastecimento e na atividade dos principais parceiros comerciais.
Já para 2027, o CFP projeta uma recuperação do crescimento para 1,8%, “apoiada pelo esbatimento do choque energético, seguida de uma convergência gradual para 1,6% no final do horizonte de projeção”.
Esta previsão para o próximo ano é mais otimista do que aquela inscrita no relatório de setembro, que apontava para um crescimento de 1,6%.
“A aceleração de 2027 deverá ser determinada pela melhoria das perspetivas das exportações, pela dissipação dos elevados níveis de incerteza e por um impulso temporário ao rendimento disponível associado ao aumento dos reembolsos de IRS”, explica o organismo liderado por Nazaré Costa Cabral.
O CFP prevê crescimentos de 1,7% em 2028 e 2029 e de 1,6% em 2030.
Já o Governo inscreveu no Orçamento do Estado para 2026 uma previsão de crescimento de 2,3% este ano.
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