Cerca de duas centenas de apoiantes do PAICV pedem “mudança” em Cabo verde

Praia, 10 mai 2026 (Lusa) – Entre gritos de “mudança” e bandeiras amarelas, cerca de duas centenas de apoiantes do PAICV, maior partido da oposição cabo-verdiana, percorreram hoje bairros da capital, onde o candidato a primeiro-ministro, Francisco Carvalho, reforçou o compromisso com moradores que pediam mais segurança e melhorias na saúde, a sete dias das legislativas.

“É preciso mudar”, desabafou uma idosa, à porta de casa, apontando a violência e o acesso à saúde como principais necessidades.

Em resposta, o líder do Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) questionou se a habitação também não precisava de melhorias, recebendo um “sim” imediato e a promessa da moradora de que o iria “procurar depois” para cobrar o compromisso.

Sob o sol intenso da capital, a arruada – designada de “onda amarela” – avançou por bairros como Achada São Filipe e Ponta d’Água, um dos mais sensíveis em termos de segurança.

De mãos dadas com a esposa, o candidato percorreu ruas estreitas, abraçou crianças, cumprimentou moradores e abordou eleitores ao longo do trajeto.

Ao som de propostas que ecoavam de um carro de som – ensino superior gratuito, mais habitação e combate ao custo de vida – o candidato reforçou um “compromisso olhos nos olhos” com moradores que voltaram a pedir mais segurança.

O amarelo dominava as ruas: t-shirts, bandeiras e lenços marcaram a presença dos apoiantes, que, em vários momentos, condicionaram o trânsito.

“É hora de mudança”, gritava a multidão, enquanto as bandeiras agitavam o ar quente da cidade.

Entre músicas e palavras de ordem, o microfone detalhava propostas centradas no emprego jovem, redução do custo de vida, gratuitidade do ensino superior e eliminação de taxas nas consultas de saúde.

Durante o percurso, Francisco Carvalho alternava entre paragens e deslocações, cumprimentando quem acompanhava a caminhada ou observava das portas e janelas.

“Estamos juntos no dia 17?”, repetia, em tom de apelo ao voto.

Quase no fim do percurso, com o suor da caminhada, o também presidente da Câmara da capital do país fez um balanço positivo da campanha e acusou o Movimento para a Democracia (MpD, no poder) de manter as pessoas na dependência e de “guardar dinheiro para comprar votos na hora da eleição”.

Em contrapartida, apontou o que descreve como o “Cabo Verde real”, com famílias sem recursos para alimentação, consultas ou universidade, prometendo um “novo Estado” e um “recomeço livre de manipulações”.

“Ao longo do caminho temos estado a falar com as pessoas, olhos nos olhos, para ouvir os problemas e sentir as dificuldades. Queremos construir respostas que ajudem a resolver esses problemas e a concretizar os sonhos dos cabo-verdianos”, afirmou.

“O cabo-verdiano voltou a acreditar que é possível fazer melhor. Em todas as ilhas e também na diáspora sentimos essa energia”, acrescentou ainda.

O PAICV procura nestas eleições legislativas de 17 de maio capitalizar a vitória nas autárquicas de dezembro de 2024, em que conquistou 15 dos 22 municípios.

Uma das vitórias mais expressivas foi na cidade da Praia, onde Francisco Carvalho venceu com 62% dos votos, reforçando a sua liderança política, assumida em 2025.

Desde 1991, o MpD e o PAICV alternam no poder em Cabo Verde e dominam a Assembleia Nacional, enquanto a UCID conta atualmente com quatro deputados. Sem representação parlamentar, o Partido Popular e o PTS concorrem em seis dos 13 círculos eleitorais.

*** Rosana Semedo (texto) e Ernesto Júnior (vídeo)

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