
Viseu, 15 out 2026 (Lusa) — Cerca de 300 agentes da PSP e militares da GNR manifestaram-se hoje em Viseu pela revisão remuneratória e do estatuto profissional, cujas negociações com o governo dizem estar paradas há mais de dois anos.
A marcha foi de poucos metros, entre a sede do comando da Polícia de Segurança Pública (PSP) e a praça da República, conhecido por Rossio, para se concentrarem em frente da Câmara Municipal de Viseu.
Os cerca de 300 profissionais — mobilizados pela Associação Sindical dos Profissionais da Polícia de Segurança Pública (ASPP/PSP) e da Associação dos Profissionais da Guarda (APG/GNR) — percorreram as ruas debaixo de apitos e ao som da música “A gente vai continuar”, de Jorge Palma, que ia passando na coluna intercalada com os manifestos.
A negociação com o governo parou há dois anos e quatro meses e, desde então, “do que ficou acordado na última reunião, num documento difícil de assinar, mas que foi assinado, esses dois pontos [estatutos] ainda não foram cumpridos, só o do aumento de 300 euros”, afirmou o líder da associação da Guarda, César Nogueira.
“Mas falta o resto que ficou acordado e que não foi cumprido”, sublinhou o dirigente da associação da GNR.
O presidente da associação sindical da PSP, Paulo Santos, adiantou aos jornalistas que os profissionais têm, “claramente, uma posição muito firme” sobre esta paragem na negociação.
“Ou em janeiro já temos, concretamente, uma medida que seja já efetiva e que passa por tabelas remuneratórias, suplementos remuneratórios, a revisão, e alteração ao nosso estatuto profissional. Caso o governo, até novembro, nos garanta essa possibilidade de em janeiro termos já algo palpável e que se concretize, poderemos refletir se há necessidade de continuar estes protestos, caso isso não aconteça, vamos continuar”, prometeu Paulo Santos.
Depois de se manifestarem na quarta-feira em Faro, hoje em Viseu, têm agendado para sexta-feira em Guimarães e, na próxima semana, será na Madeira e depois nos Açores, para no dia 29 de outubro realizarem uma manifestação nacional, em Lisboa.
Paulo Santos apontou que os “bloqueios às negociações” são da responsabilidade do governo, mais concretamente do primeiro-ministro e do Ministério das Finanças, já que o ministro da Administração Interna “demonstra algum conhecimento até profundo, dos problemas que estão sinalizados” e tem “até alguma sensibilidade por força da carreira profissional que teve”, referindo-se ao facto de o ministro Luis Neves ter sido diretor nacional da Polícia Judiciária antes de integrar o executivo.
Do lado da GNR, César Nogueira lembrou que, aquando da nomeação de Luís Neves “foram criadas expectativas diferentes se fosse outro ministro qualquer” e também por isso disse que se sentem “defraudados” e admitiu que os profissionais “se sentem enganados”.
“Assinámos um acordo abaixo dos valores dos colegas da Polícia Judiciária (PJ), sem desprimor nenhum para os colegas da PJ, o que é certo é que foi incluído no acordo, para podermos assinar, estas questões e não foram resolvidas”, vincou.
À agência Lusa, manifestantes da PSP e da GNR, afetos aos comandos do distrito de Viseu, disseram que “é por isso que as carreiras são cada vez menos atrativas e o número de efetivos tem vindo a diminuir de ano para ano e tem-se refletido muito”.
Os líderes do movimento reuniram-se com o presidente da Câmara de Viseu, João Azevedo (PS), que desceu para cumprimentar os manifestantes e, aos jornalistas, disse que entendeu “os anseios e preocupações” e que os fará chegar aos líderes parlamentares.
IYN // ZO
Lusa/Fim



