CCB quer novos públicos e mais receitas próprias com plano estratégico até 2030

Lisboa, 15 abr 2026 (Lusa) — A conquista de novos públicos e o aumento de receitas próprias através de mecenato e novos modelos de financiamento estão entre os principais objetivos do plano estratégico 2026-2030 hoje apresentado pelo Centro Cultural de Belém (CCB), em Lisboa.

O documento, apresentado num encontro com jornalistas pela administração liderada por Nuno Vassallo e Silva, com os vogais Rui Morais e Rita Romão, define “uma nova visão, missão e propósito” para a instituição, após um processo de consulta interna e externa que incluiu contributos do público, parceiros e dos trabalhadores.

“Queremos um CCB mais aberto, internacional, participativo e sustentável, que continue a ser referência de qualidade, mas mais próximo dos cidadãos”, declarou o presidente do CCB, defendendo que a instituição “deve ser, ao mesmo tempo, grande casa artística, fórum de pensamento, espaço cívico de encontro e destino cultural europeu”.

A criação de novos públicos foi apontada pela administração como um dos eixos centrais do plano, com uma aposta nas gerações mais jovens e nas comunidades de diferentes origens culturais, incluindo portugueses no estrangeiro e estrangeiros residentes em Portugal, visando “alargar a base social” do CCB sem perder os públicos habituais.

“Nos próximos quatro anos, queremos fazer uma grande aposta nas gerações mais jovens, reforçando a mediação e os serviços educativos, trabalhar as diásporas culturais, proporcionando um encontro de identidades diversas e incentivando o cruzamento linguístico”, sublinhou, por seu turno, Rui Morais, nomeado em novembro de 2025, a par de Rita Romão, para o conselho de administração do CCB.

Nesse sentido, a instituição pretende reforçar a mediação cultural e os serviços educativos, melhorar a presença digital e valorizar o espaço público, incluindo acessos, mobilidade e sinalética, com o objetivo de tornar o centro “mais aberto, mais participativo e mais próximo dos cidadãos”.

Outro vetor estratégico passará, segundo os responsáveis, pela internacionalização, com a criação de um programa de residências artísticas para estudantes e profissionais das áreas performativa e museológica, e pela ambição de desenvolver uma escola europeia que cubra “toda a cadeia de criação artística e cultural”.

Questionado pelos jornalistas, Rui Morais precisou que o projeto de residências abrangerá não só as artes performativas mas também as artes plásticas e ainda as vertentes mais técnicas, como direção de cena e produção.

Na vertente financeira, a administração assume como prioridade a diversificação das fontes de financiamento, num contexto em que entre 60% e 70% do orçamento anual, cerca de 18,7 milhões de euros, continua a depender do Orçamento do Estado, que atualmente assegura aproximadamente 10,5 milhões.

“Queremos aumentar as receitas, não numa perspetiva de competir no mercado, mas de diversificar as fontes de financiamento e criar um círculo virtuoso”, afirmou Rita Romão, responsável pela área financeira, sublinhando que será criada, pela primeira vez, uma equipa especializada na angariação de mecenato, filantropia e novas parcerias.

Nesta área, Rui Morais reforçou que o objetivo do CCB não passa por reduzir a contribuição pública, mas por “aumentar a capacidade de gerar receitas”, destacando que o CCB partirá praticamente “do zero” neste plano a quatro anos no que respeita a grandes mecenas, embora “já estejam em curso reuniões com potenciais patrocinadores e candidaturas a fundos europeus”.

Para Nuno Vassallo e Silva, o plano estratégico hoje apresentado “não é um exercício retórico nem um corte com a história”, mas antes o início de “um novo ciclo” que visa assentar “na qualidade das equipas e no diálogo com públicos, artistas e comunidades”.

A conclusão dos módulos 04 e 05 do complexo arquitetónico original do CCB construído em 1993, atualmente em fase de escavações, deverá ter “um grande impacto nas receitas e no público”, estimou o presidente, apontando para um horizonte de conclusão entre 2029 e 2030, numa estimativa que disse ser “prudente”.

Em julho do ano passado, o CCB e o grupo Alves Ribeiro — escolhido por concurso – assinaram um contrato para a construção de um hotel de luxo, apartamentos turísticos e áreas comerciais nos terrenos previstos para os módulos que trarão uma renda anual escalonada entre 350 mil e 1,2 milhões de euros ao longo de 65 anos.

Vassallo e Silva revelou que a fase prospetiva de escavações já foi iniciada, tendo sido identificados achados arqueológicos — “já esperados” – associados ao antigo Palácio Marialva, num processo articulado com a Câmara Municipal de Lisboa e o Património Cultural.

O Palácio Marialva, edifício principal da propriedade Real Quinta da Praia, onde foi construído o centro cultural, foi uma propriedade com origens no século XVI, pertenceu à monarquia e depois foi doada à família do Marquês de Marialva.

No plano da programação, a primeira temporada de artes performativas sob direção do belga Serge Rangoni, selecionado por concurso internacional, será apresentada em junho.

Entre as medidas já em curso, o CCB destacou a criação de um bilhete único com desconto que dá acesso ao Museu de Arte Contemporânea (MAC/CCB), o Museu de Arte, Arquitetura e Tecnologia (MAAT) e o Pavilhão Julião Sarmento, que a administração pretende alargar a outras instituições culturais no eixo Belém-Tejo.

Relativamente a números de 2025 de espectadores e visitantes do museu, a administração disse que os anunciará em breve.

Em março de 2025, quando lançou uma chamada pública para acolher sugestões, o CCB indicou que em 2023 registara 139.231 espectadores e que, em 2024, verificara-se um aumento de quase mais 25 mil, situando-se nos 164.071 espectadores.

Nos visitantes do MAC/CCB, que veio substituir o antigo Museu Coleção Berardo, mantendo aquela coleção em depósito, juntamente com outras adquiridas pelo Estado, como a Ellipse, os números apontavam para 171.092 visitantes em 2023 e 179.890 em 2024.

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