
Lisboa, 23 abr 2026 (Lusa) — A apresentação do projeto “O Coro — Missão Democracia”, esta semana no CCB, em Lisboa, marca o arranque de uma parceria entre aquela instituição e a Assembleia da República, com base numa coleção de livros infantis editada pelo parlamento.
“O Coro — Missão Democracia” é um projeto da cantora Beatriz Pessoa, a quem foram entregues os 12 livros da coleção “Missão Democracia”, publicada pela Assembleia da República, no âmbito dos 50 anos do 25 de Abril de 1974, para “se inspirar e criar canções, um bocado no espírito da canção de intervenção”, explicou à Lusa a programadora da Fábrica das Artes do Centro Cultural de Belém (CCB), Madalena Wallenstein.
Além da apresentação do espetáculo, com sessões para escolas (hoje e na sexta-feira) e para o público em geral (no sábado e no domingo) há um “trabalho prévio de oficinas, em que crianças e jovens, tanto de escolas quanto do público em geral, podem aprender a participar neste concerto, podem aprender partes das canções”. As oficinas são de entrada livre para os portadores de bilhete para as sessões do espetáculo.
“O Coro – Missão Democracia” foi criado no âmbito de uma parceria entre a Assembleia da República e o CCB, que faz com que ao longo de três anos a “Missão Democracia” surja na programação da Fábrica das Artes.
Os livros da coleção, “que são inspiração para criações de artistas portugueses contemporâneos”, abordam, conjugando ficção e informação, temas que se relacionam com 50 anos da história recente do país, como liberdade e cidadania.
Visto que “é impossível fazer os 12 livros”, serão abordados ao longo dos três anos “temas fundamentais, alguns porque estão na ordem do dia ou porque estão a ser comemorados, como é o caso da Constituição [da República Portuguesa que celebra agora 50 anos]”.
Em maio, estreia-se o espetáculo de teatro “Constituição”, de Isabel Costa, “mais dirigido a adolescentes e que tem este espírito de participação e de trazer histórias à volta da Constituição”.
Para julho está agendada a oficina “E se fôssemos a votos?”, na qual as crianças irão “mergulhar”, ao longo de uma semana, no livro da coleção com o mesmo nome, pela mão da ilustradora Rachel Caiano, com o músico Nuno Cintrão, o ator José Leite e a bailarina Clara Bevilaqua.
De acordo com Madalena Wallenstein, a equipa da Fábrica das Artes está agora a trabalhar no programa da “Missão Democracia” das duas próximas temporadas do CCB, tendo sido desafiados a pensar em novas criações artistas como Sara Barros Leitão e António Jorge Gonçalves.
Os livros da coleção “Missão Democracia” já contam com várias distinções.
Este ano, “Dita Dor”, de António Jorge Gonçalves, foi distinguido nos prémios literários da Feira do Livro Infantil e Juvenil de Bolonha, em Itália, na categoria de banda desenhada infanto-juvenil.
O livro inspira-se na infância de António Jorge Gonçalves, passada ainda em ditadura, uma vez que o autor tinha 9 anos quando aconteceu a revolução de 25 de Abril de 1974.
Já Catarina Sobral venceu, por unanimidade, o Prémio Nacional de Ilustração 2023 pelo livro “Fantasmas, Bananas e Avestruzes”, no qual aborda, para os mais novos, o tema das leis e das regras, porque é que existem, para que servem na sociedade e na relação entre as pessoas.
Na mesma edição do Prémio Nacional de Ilustração, “Leva-me ao teu líder”, com texto de Afonso Cruz e ilustração de Mariana Rio, e “E se fôssemos a votos?”, escrito por Luísa Ducla Soares e desenhado por Rachel Caiano, mereceram menções especiais, pelo trabalho visual das ilustradoras.
Na edição de 2024 do Prémio Nacional de Ilustração, Carolina Celas mereceu uma Menção Especial, pelas ilustrações de “Deputados do Futuro, Olá!”, com texto de Isabel Minhós Martins.
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