
Sindhuli, Nepal, 27 ago 2026 (Lusa) – Centenas de pessoas aguardam num acampamento improvisado na provÃncia nepalesa de Sindhuli por informações sobre familiares desaparecidos na enxurrada de quarta-feira, que causou até agora 362 mortos no Nepal e na China.
Ao mesmo tempo, muitos habitantes da zona continuam a fugir com medo de que o rio Bhotekoshi volte a transbordar, de acordo com uma reportagem da agência de notÃcias EFE.
Na base improvisada, localizada a poucos quilómetros do ponto zero da catástrofe, o trânsito de helicópteros é contÃnuo, transportando os resgatados após a tragédia ocorrida na fronteira com a China, que deixa cerca de 1.400 desaparecidos de ambos os lados da fronteira.
Fora do acampamento, instalado no último ponto até onde a estrada permite avançar e ao qual chegou uma equipa da EFE, centenas de pessoas esperam há várias horas por um nome, um rosto ou qualquer informação que lhes permita saber se os familiares estão vivos.
Em solo nepalês, a polÃcia eleva por agora para 359 os corpos recuperados, muitos arrastados dezenas de quilómetros rio abaixo, enquanto 445 pessoas foram resgatadas com vida, entre as quais 27 estrangeiros.
Na vertente tibetana contabilizam-se três mortos e 558 pessoas incontactáveis até ao momento.
A orografia e a falta de internet e de rede móvel dificultam o conhecimento sobre algumas das aldeias mais remotas, uma vez que o rio destruiu pontes, estradas e caminhos, separando famÃlias de um e de outro lado do vale nepalês.
Sempre que se ouve um helicóptero, as pessoas aproximam-se para ver quem chega, mas a tensão aumenta à medida que passam as horas.
Quem espera ou quem foi resgatado e recebe cuidados médicos começa a perder a paciência por não ter notÃcias do resto da famÃlia.
Sente-se também o medo de que o rio volte a transbordar subitamente de madrugada ou durante a noite.
A estrada que liga ao ponto zero é um corrupio de pessoas a deslocar-se no sentido oposto, em direção a zonas menos afetadas, caminhando com tudo o que conseguem carregar.
No sentido inverso há também um fluxo contÃnuo de veÃculos militares, ambulâncias e maquinaria pesada para prestar auxÃlio na tragédia.
A região é frequentada por turistas devido à beleza natural, combinando paisagens montanhosas da cordilheira do Tibete com vales onde desaguam rios e afluentes, ligados por uma rede de estradas estreitas, frequentemente de via única, que serpenteiam pelo terreno.
A zona é o ponto de partida de algumas das excursões e peregrinações mais importantes dos Himalaias, como as viagens organizadas para Lassa ou para o Evereste, além das peregrinações ao monte Kailash e ao lago Manasarovar, locais sagrados para o hinduÃsmo.
Precisamente por estes dias, centenas de peregrinos indianos coincidiam na zona devido ao festival Janai Purnima, uma das festividades religiosas mais importantes do calendário hindu e budista.
Na mais recente atualização, o Conselho de Turismo do Nepal elevou para 540 o número de estrangeiros desaparecidos, ao incluir pela primeira vez 24 cidadãos chineses — que segundo Pequim poderão ser cerca de uma centena — e três portugueses.
**Indira Guerrero, da agência de notÃcias EFE**
Lusa/Fim



