Candidato Eugénio Tiny quer mudar o nome e a bandeira de São Tomé e Príncipe

São Tomé, 14 jul 2026 (Lusa) — O jurista Eugénio Tiny, candidato à Presidência são-tomense, disse hoje à Lusa que quer um forte combate à corrupção e defende a alteração do nome do país e das cores da bandeira para reforçar a unidade nacional.

“A nossa bandeira não corresponde ao nosso território”, afirmou o candidato às eleições de domingo, sublinhando que o mar de São Tomé e Príncipe é 160 vezes maior que o território terrestre.

Neste sentido, o candidato, defendeu que a bandeira são-tomense deveria incluir a cor azul, que deve ocupar pelo menos 80% da sua composição, e, ao invés de ter apenas as duas estrelas atuais, que representam as ilhas de São Tomé e do Príncipe, deveria ter cinco estrelas para incluir a representação dos vários ilhéus, embora não habitados.

Quanto ao nome do país, defende a mudança para República Centro Equatorial, por considerar ser a ideal para promover maior unidade nacional, sobretudo dos naturais da ilha do Príncipe, que entende serem excluídos quando se referem os são-tomenses.

“Se nós mudarmos o nome do próprio país para República Centro Equatorial, nós seremos todos centro-equatorianos e já não haverá essa diferença. São coisas básicas, mas que contribui muito para a verdadeira unidade que nós precisamos”, defendeu.

Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, que completará 75 anos no dia 31 de agosto, também é professor universitário e foi vice-presidente da Assembleia Nacional são-tomense, tendo assumido interinamente a presidência do órgão em diversas ocasiões no passado.

O jurista justifica a sua candidatura pela segunda vez, depois das presidenciais de 2021, por não estar de acordo com o estado das coisas em São Tomé e Príncipe, querer contribuir para a mudança e “fazer com que o Estado seja um Estado verdadeiro e que funciona”.

“Nós dizemos que temos um Estado de conveniência, porque o Estado tem muita deficiência. Por isso mesmo, é necessário nós construirmos um Estado que possa ser credível e que possa ser considerado Estado no seu verdadeiro sentido”, sublinhou.

Entre as ações a adotar, Eugénio Tiny disse que tudo fará para impor “mais rigor, mais capacidade, mais competência”, para que as instituições funcionem, por considerar que “falta organização” e disciplina.

“Temos que fazer isso rapidamente para que, de facto, possamos construir um Estado que seja eficiente, credível e que possa contribuir para resolver os problemas básicos que a população tem”, sublinhou.

Eugénio Tiny aproveitou para contestar uma notificação que recebeu do Tribunal Constitucional na semana passada, já após a entrega e aceitação da candidatura, para entregar o orçamento de campanha e indicar o respetivo mandatário financeiro.

“Como é que, neste momento, em que as pessoas já gastaram tanto dinheiro, andaram pelo país a distribuir dinheiro aos olhos de todos (…), isso não é normal, é um país doente que tem que ser melhorado”, criticou.

O candidato considerou que as leis do país estão suspensas e não tem havido controlo do dinheiro que entra no país, predominando “uma corrupção total”.

Eugénio Tiny disse que não fez cartazes nem camisolas de campanha e não realizará comícios ou grandes concentrações, porque a sua campanha será de proximidade e de contacto porta a porta com os eleitores.

“Eu não enveredei para estes tipos de coisas porque a população está cansada disso. As pessoas estão a rasgar todos os cartazes. Se não há medicamentos no hospital, eu vou gastar dinheiro a fazer cartazes quando eu podia importar medicamentos? (…) dinheiro está a vir de onde, afinal de contas?”, questionou.

O candidato, que não conta com apoio partidário, admitiu que poderá sair derrotado nas eleições de domingo, mas definiu como objetivos da candidatura a oportunidade de passar a sua mensagem, levando o povo a refletir sobre a situação do país, que completou 51 anos da independência no passado domingo, 12 de julho.

“Não sei se vou ter vitória ou não, porque eu não tenho dinheiro para distribuir para as pessoas. A eleição em São Tomé e Príncipe é ultracorrupta e não competitiva e está aos olhos de todos”, declarou.

O Tribunal Constitucional são-tomense admitiu cinco candidatos às presidenciais de 19 de julho: Eugénio Rodrigues da Trindade Tiny, Nito de Sousa Viegas D’Abreu, Miques João do Nascimento de Jesus Bonfim, Carlos Manuel Vila Nova, que se recandidata ao cargo, e Jorge Bom Jesus, que anunciou a sua desistência já fora do prazo legal.

Segundo a Comissão Eleitoral Nacional (CEN), os dados definitivos do recenseamento eleitoral automático registaram 142.191 eleitores, dos quais 121.670 estão em São Tomé e Príncipe e 20.521 na diáspora, nomeadamente 15.917 em cinco países da Europa, e 5.324 em quatro países de África.

 

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