Canadá investiga perigo da radiação para astronautas

Foto: Envato

No Canadá, investigadores da “Canadian Nuclear Laboratories” e da Universidade de Western desenvolvem uma tecnologia que permite analisar, com elevada precisão, os efeitos da radiação no corpo humano em ambientes extremos, como o espaço.

Os cientistas utilizam sistemas designados “organ-on-chip”, microdispositivos com células humanas vivas organizadas em estruturas tridimensionais que reproduzem funções de órgãos reais.

Estes dispositivos incluem canais com circulação de fluido semelhante ao sangue, o que mantém o tecido ativo e funcional. Quando expostos à radiação, os investigadores analisam os efeitos ao nível celular.

Entre os impactos identificados estão danos no ADN, ativação de mecanismos de reparação e sinais de stress biológico. As células libertam citocinas, indicadores de inflamação e resposta ao dano.

A principal diferença face a modelos tradicionais está na complexidade do sistema. Em vez de células isoladas, estes modelos permitem estudar tecidos organizados e avaliar a evolução da resposta ao longo do tempo.

Os cientistas medem alterações metabólicas, intensidade do dano e variações entre diferentes tecidos, o que ajuda a explicar por que a mesma dose de radiação pode produzir efeitos distintos em diferentes indivíduos.

Este trabalho ganha relevância no contexto de missões espaciais de longa duração, como viagens à Lua e a Marte, onde a radiação representa um dos principais riscos para a saúde dos astronautas.

A investigação tem também impacto na medicina, em particular na radioterapia, ao permitir compreender melhor a resposta de diferentes pacientes ao mesmo tratamento.

A longo prazo, a equipa pretende levar estes sistemas para o espaço, criando uma nova forma de monitorizar os efeitos da radiação fora da Terra e antecipar riscos antes de missões tripuladas.