Canadá dividido perante detenção de Nicolás Maduro

Foto: Prime Minister of Canada Website

A detenção do Presidente venezuelano, Nicolás Maduro, numa ação militar surpresa levada a cabo pelos Estados Unidos da América (EUA), gerou reações diversas no Canadá. Na manhã de domingo, dia 4 de janeiro, um grupo de imigrantes do país sul-americano concentrou-se na Nathan Phillips Square, em Toronto, numa manifestação de apoio à intervenção.

Entre bandeiras agitadas e a entoação do hino nacional, os manifestantes celebraram o fim do poder do ditador venezuelano. Ainda assim, alguns participantes manifestaram preocupação quanto à interferência americana no futuro do país.

Em Ottawa, essa mesma apreensão esteve presente numa manifestação junto à embaixada dos EUA. Imigrantes venezuelanos apelaram ao apoio do Governo canadiano à autodeterminação do povo da Venezuela e à retirada das forças americanas do território. Houve também manifestações de apoio ao regime de Maduro e protestos contra Donald Trump.

No plano político, as reações dividiram-se. Na manhã de sábado, dia 3 de janeiro, o líder conservador Pierre Poilievre publicou, na rede social X, uma mensagem de apoio a Donald Trump. Felicitou-o pela detenção de Maduro e defendeu que o líder da oposição, Edmundo González, assumisse a liderança do país. Poilievre destacou ainda o papel da vencedora do prémio Nobel da paz,  María Corina Machado e apelou ao fim do socialismo.

Também no sábado, Mark Carney recorreu às redes sociais para se pronunciar. Sublinhou que uma das suas primeiras medidas no ano passado foi a imposição de sanções adicionais ao que classificou como o regime brutal de Nicolás Maduro. Recordou que o Canadá não reconhece o regime venezuelano desde 2018, mas apelou ao respeito pelo direito internacional e à liberdade do povo venezuelano de decidir o seu próprio futuro.

Já na manhã de segunda-feira, dia 5 de janeiro, o primeiro-ministro canadiano publicou, no site oficial do Governo, uma declaração sobre uma conversa mantida com a líder da oposição venezuelana, María Corina Machado. Afirmou que ambos condenaram o regime opressivo de Maduro e reiterou o apoio firme do Canadá a um processo de transição pacífico na Venezuela.