
Houston, Estados Unidos, 27 jun 2026 (Lusa) – A qualificação do estreante Cabo Verde para os 16 avos de final do Mundial2026 de futebol é um modelo de superação para os pequenos paÃses, afirmou o selecionador Bubista, entusiasmado pelo próximo jogo frente à Argentina.
“Somos o exemplo de que os paÃses pequenos também podem conseguir objetivos grandes mais tarde ou mais cedo, desde que tenham foco, determinação e trabalhem com organização. Mostrámos que nada é impossÃvel. Estamos a representar o nosso paÃs, mas também o continente africano e os paÃses pequenos que têm essa ambição”, salientou o técnico, na sexta-feira.
Pedro Brito, mais conhecido por Bubista no futebol, falava em conferência de imprensa no Estádio NRG, em Houston, nos Estados Unidos, após o empate entre Cabo Verde e Arábia Saudita (0-0), que, aliado à vitória da Espanha sobre o Uruguai (1-0), apurou os africanos para a fase a eliminar.
“Mesmo atacando, queremos que a equipa esteja organizada e equilibrada. No geral, cumprimos em boa parte com o nosso plano, que era não deixar a Arábia Saudita transitar com perigo. Tivemos um comportamento muito positivo e quisemos ganhar. Isso demonstra o caráter desta equipa, que faz as coisas à sua maneira, com identidade e sem medo de ninguém”, disse, surgindo perante os jornalistas com a bandeira cabo-verdiana à s costas.
Cabo Verde criou as melhores oportunidades da partida, mas pecou na definição, sem comprometer uma passagem histórica, que, em paralelo, também ajudou Portugal a garantir uma das 32 vagas na primeira fase a eliminar.
“Mentalmente, temos estado fortes. Este jogo exigia muita força mental e mostrámos um caráter incrÃvel. Estamos de parabéns pelo que fizemos e pela vontade e disciplina que tivemos nesta fase”, referiu Bubista.
Ao terminar a ‘poule’ no segundo lugar, com três pontos, quatro abaixo da campeã europeia e também apurada Espanha e um acima dos eliminados Uruguai e Arábia Saudita, Cabo Verde tornou-se o primeiro estreante a superar a fase de grupos em Campeonatos do Mundo desde 2006 e passou a ser a terceira seleção lusófona a fazê-lo, após Portugal e Brasil.
“Depois dos primeiros jogos, sentimos que podÃamos chegar lá. A equipa estava com muita vontade de mostrá-lo ao mundo. Estamos orgulhosos do que já fizemos. Somos um paÃs pequeno, mas lutamos pelo que queremos e nada é impossÃvel para nós”, insistiu, em alusão aos empates com Espanha (0-0), campeã em 2010, e Uruguai (2-2), vencedor em 1930 e 1950.
Em 03 de julho, em Miami Gardens, Cabo Verde disputará os 16 avos de final com a campeã mundial e bicampeã sul-americana Argentina, que tem três tÃtulos (1978, 1986 e 2022) e já está apurada como vencedora da ‘poule’ J.
“É um orgulho. Temos uma ligação antiga com a Argentina, porque muitos cabo-verdianos emigraram para lá. Independentemente do adversário, vamos atuar com atitude e responsabilidade. A Argentina tem os melhores jogadores do mundo e Lionel Messi, que, para muitos, é o melhor de todos os tempos. Sabemos as dificuldades que vamos encontrar, mas tentamos sempre ultrapassá-las sem receio e com disciplina”, direcionou Bubista.
Os ‘tubarões azuis’ vão defrontar um campeão do mundo pela terceira vez, cenário jamais observado por qualquer estreante na história dos Mundiais, que nunca tiveram um paÃs tão pequeno em população e área a suplantar a fase de grupos.
“É um motivo de satisfação para todos. Um dos objetivos é mostrar o nosso paÃs ao mundo. Poder defrontar a Argentina e Messi numa altura destas é excelente”, finalizou, sendo que Cabo Verde enfrentará os sul-americanos depois de nove jogos oficiais sem perder, incluindo três no Mundial2026.
Afastada da fase final ficou a Arábia Saudita, cujo selecionador Georgios Donis, contratado em abril como sucessor de Hervé Renard, reconheceu que o “maior problema” do conjunto asiático residiu na produção ofensiva.
“O jogo ficou aberto perto do fim e o adversário teve três grandes ocasiões para marcar. Vi determinação nos meus atletas, mas fomos muito fracos a nÃvel de criação e controlo. Não se pode ganhar assim”, analisou o grego.
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