
Bruxelas, 01 abr 2026 (Lusa) — A Comissão Europeia anunciou hoje ter adotado medidas preparatórias para a futura aplicação de um empréstimo de 90 mil milhões de euros à Ucrânia, bloqueado pela Hungria e destinado a colmatar “necessidades urgentes”.
O Empréstimo de Apoio à Ucrânia, de 90 mil milhões de euros, destina-se a garantir o apoio orçamental necessário e a acelerar as aquisições urgentes de defesa para a Ucrânia em 2026 e 2027, de acordo com um comunicado.
O executivo comunitário propõe ao Conselho da UE a aprovação do montante de apoio para o próximo ano e valida mecanismos excecionais de contratação para um primeiro programa de compras de defesa centrado em drones (veículos aéreos não tripulados), numa tentativa de acelerar a chegada de equipamento crítico a Kiev.
“Hoje, estamos a tomar as medidas preparatórias necessárias para mobilizar o orçamento deste ano e adquirir equipamento de defesa, com especial enfoque na indústria ucraniana de drones de ponta. Com isto, enviamos uma mensagem clara: a Comissão está pronta para avançar”, sublinhou a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, citada na mesma nota.
A proposta prevê a disponibilização de 45 mil milhões de euros à Ucrânia até 31 de dezembro de 2026.
O apoio previsto para este ano divide-se entre 16,7 mil milhões de euros em apoio orçamental e 28,3 mil milhões para reforço das capacidades industriais de defesa ucranianas, incluindo a produção e aquisição de drones.
O avanço técnico acontece apesar de a Hungria continuar a, ao nível da UE, bloquear a alteração ao quadro financeiro plurianual necessária para que a Comissão Europeia possa usar o orçamento do bloco como garantia da dívida comum.
O veto húngaro, formalizado em fevereiro, tem atrasado o calendário inicial dos primeiros desembolsos.
Ainda assim, Bruxelas tem insistido que vai encontrar uma solução para fazer chegar a primeira ‘tranche’ à Ucrânia já este mês, recorrendo a mecanismos alternativos e à cooperação reforçada entre os Estados-membros favoráveis ao pacote.
Desde o início da invasão russa, em fevereiro de 2022, a UE e os Estados-membros já mobilizaram cerca de 195 mil milhões de euros em apoio a Kiev, entre assistência macrofinanceira, ajuda militar e apoio à reconstrução, incluindo 3,7 mil milhões de euros provenientes dos lucros de ativos russos imobilizados.
Este empréstimo de 90 mil milhões de euros continua condicionado pelo impasse político no Conselho da UE, depois de a Hungria, liderada pelo primeiro-ministro ultranacionalista, Viktor Orbán, ter bloqueado novamente em fevereiro a implementação plena.
Budapeste justificou o veto com uma disputa paralela sobre o trânsito de petróleo russo através do oleoduto Druzhba, exigindo a reposição dos fluxos energéticos antes de levantar a objeção.
Apesar de a reparação estar a avançar, vai demorar até o oleoduto estar em pleno funcionamento.
Entretanto, a 12 de abril, haverá eleições legislativas na Hungria e Viktor Orbán surge em segundo lugar em algumas sondagens.
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