
Porto, 03 out 2026 (Lusa) – O futebolista Bruno Fernandes rejeitou hoje que existam divisões na seleção portuguesa na sequência da saída do capitão Cristiano Ronaldo do estágio, assegurando imunidade ao ruído e foco na receção à Noruega, no domingo, na Liga das Nações.
“O mais importante é deixarmos de dividir águas, porque aqui não existem divisões. A seleção é e continuará a ser uma só. Independentemente do ruído que possa vir de fora, todas as casas devem resolver os seus assuntos de porta fechada. Acho que a seleção tem de funcionar assim e é assim que funcionará. Que tudo acabe bem de um lado e do outro”, sublinhou o médio, em conferência de imprensa de antevisão ao jogo.
Na quarta-feira, Cristiano Ronaldo abandonou, por decisão própria, o estágio da seleção, na véspera da vitória nacional na Dinamarca (4-2), para a terceira jornada da Liga das Nações, num jogo em que Bruno Fernandes assumiu a braçadeira de capitão habitualmente utilizada pelo avançado.
“Tive uma conversa com Ronaldo e disse-lhe que, independentemente do que aconteça, ele nunca deixará de ser o maior símbolo da nossa seleção, do nosso futebol e do nosso país, por tudo o que fez em Portugal e pelo mundo fora. Ele tem um lugar reservado, não só nos melhores de todos os tempos, mas no coração de todos os portugueses”, notou, rejeitando que tivesse necessidade de abordar esse episódio com os colegas de equipa.
Convicto de que “estar na seleção é extraordinário e não devia ser visto de forma negativa”, o médio ressalvou que a equipa está “completamente fora” e “nada tem a ver” com o assunto em torno de Cristiano Ronaldo, utilizado pela última vez na vitória sobre o País de Gales (1-0), em 24 de setembro, em Lisboa, na estreia na Liga das Nações e sob orientação de Jorge Jesus.
“Passámos muito tempo a jogar às cartas e estamos muito fora desta polémica, mas peço que o país não se divida nem faça escolhas e que viva isto como um só e aceite todos os lados. Ao mesmo tempo, o Cristiano será sempre o maior ícone da seleção e do futebol mundial e merece o respeito de todos os portugueses, independentemente de quem gosta mais ou menos dele”, observou o futebolista dos ingleses do Manchester United.
Frente à Noruega, os lusos jogarão pela primeira vez em território nacional desde a saída de Ronaldo, que, nas redes sociais, garantiu que “a seu tempo” dirá “a verdade a todos os portugueses sobre as razões” que o levaram a abandonar a comitiva, após ter conversado com o presidente da Federação Portuguesa de Futebol (FPF), Pedro Proença, já depois do anúncio de Jorge Jesus de que o dianteiro, de 41 anos, não seria titular na Dinamarca.
“Eu joguei com o Cristiano no clube, muitos de nós já jogamos com ele na seleção há muito tempo e sabemos da atenção mediática que isto traz, mas não nos retira o foco. Sabemos que estamos a fazer as coisas bem, incluindo o Cristiano, porque faz parte da equipa e esteve no primeiro jogo. Estamos na direção que queremos e mais perto do objetivo”, avaliou.
A FPF confirmou, sem adiantar explicações, a saída de Ronaldo, que tem um recorde mundial de 234 internacionalizações e 146 golos pela seleção principal de Portugal, com a qual conquistou o Euro2016 e as Ligas das Nações de 2019 e 2025, sendo que Bruno Fernandes, de 32 anos, participou nos dois êxitos lusos mais recentes.
Portugal, detentor do troféu, acede aos quartos de final da Liga das Nações se pontuar frente à Noruega, no domingo, em encontro da quarta e antepenúltima jornada do Grupo A4 da primeira fase, com início às 19:45, no Estádio do Dragão, no Porto, e arbitrado pelo italiano Maurizio Mariani.
Uma semana depois da vitória em Oslo (2-1), Portugal, líder isolado, com nove pontos, reencontra a Noruega, terceira classificada, com os mesmos três da Dinamarca, segunda, e do País de Gales, quarto e último, que jogam em simultâneo em Cardiff, na conclusão desta pausa internacional.
Os dois primeiros colocados das quatro ‘poules’ da Liga A apuram-se para a próxima fase da mais recente prova europeia de seleções, cujo troféu está na posse de Portugal, recordista de êxitos, com dois (2019 e 2025).
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