Brasil considera demolição da sede da UNRWA por Israel flagrante “violação do direito”

Brasília, 22 jan 2026 (Lusa) — O Governo brasileiro criticou hoje a demolição dos edifícios da sede da Agência das Nações Unidas de Assistência aos Refugiados da Palestina (UNRWA) em Jerusalém Oriental, considerando ser uma “flagrante violação do direito internacional”.

“Medidas que violam instalações da UNRWA no território palestino ocupado constituem flagrante violação do direito internacional, incluindo o direito internacional humanitário e a Convenção sobre Privilégios e Imunidades das Nações Unidas”, denunciou o Ministério das Relações Exteriores do Brasil em comunicado.

O Brasil, que  atualmente está no exercício da presidência da Comissão Consultiva da UNRWA, “reitera o seu firme apoio à continuidade das atividades da Agência na prestação de serviços essenciais a 6 milhões de refugiados palestinos na Faixa de Gaza, na Cisjordânia, na Jordânia, no Líbano e na Síria”.

Este comunicado do Governo brasileiro surge no mesmo dia em que o chefe de Estado do Brasil, Lula da Silva, manteve uma conversa telefónica com  o presidente da Autoridade Nacional Palestiniana, Mahmoud Abbas.

“Ao expressar satisfação quanto ao cessar-fogo obtido em Gaza, o Presidente Lula consultou o presidente Abbas sobre as perspetivas de reconstrução da região e reiterou o compromisso brasileiro com a paz no Oriente Médio. Ambos trocaram impressões sobre o plano de paz em curso e acordaram continuar mantendo contacto sobre o tema”, lê-se, na curta nota divulgada pela presidência brasileira.

Na terça-feira, o secretário-geral da ONU pediu a Israel que “suspenda imediatamente” a demolição dos edifícios da UNRWA em Jerusalém Oriental e exigiu a respetiva reconstrução.

Condenando “nos termos mais enérgicos” as ações de Israel para demolir o complexo da UNRWA, no bairro de Sheikh Jarrah, Guterres exigiu, paralelamente, a respetiva reconstrução imediata.

Israel tem acusado repetidamente a agência da ONU de apoiar o Movimento de Resistência Islâmica (Hamas) e outros grupos palestinianos, embora uma investigação independente, liderada pela antiga ministra dos Negócios Estrangeiros francesa Catherine Colonna, tenha concluído, em abril de 2024, que, apesar de a organização ter margem para melhorar em matérias como a neutralidade ou a transparência, não existiam provas que sustentassem as acusações israelitas de ligações ao terrorismo.

Apesar disso, Israel manteve as suas críticas e, a 08 de dezembro de 2025, as forças de segurança israelitas realizaram uma operação na sede da UNRWA, no âmbito da pressão exercida sobre o organismo, que denunciou o “flagrante desrespeito” de Israel pelo Direito Internacional.

 

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