
Brasília, 14 mai 2026 (Lusa) — O Ministério da Agricultura e Pecuária do Brasil e a Polícia Federal apreenderam hoje cerca de 48 toneladas de açúcar com suspeita de adulteração no corredor de exportação de um porto no Sul do país.
A carga de açúcar VHP destinada à exportação apresentava indícios de contaminação por materiais insolúveis acima dos limites permitidos pela legislação brasileira.
Açúcar VHP é um tipo de açúcar bruto amplamente utilizado na exportação brasileira e a sigla, em inglês, significa ‘Very High Polarization’ (“polarização muito alta”), referência ao elevado teor de sacarose presente no produto.
Durante testes preliminares realizados na recolha de amostras, a fiscalização identificou a presença de materiais aparentemente semelhantes à areia em quantidade superior ao limite legal permitido.
“Como não há rastreabilidade sobre o material misturado ao açúcar, o produto foi considerado um risco à defesa agropecuária”, informou o Ministério da Agricultura e Pecuária em comunicado após a apreensão no Porto de Paranaguá, no estado brasileiro do Paraná.
Atualmente, o Brasil é o maior produtor e exportador mundial de açúcar, responsável por cerca de 25% da produção global e aproximadamente 50% das exportações mundiais.
Em 2025, o país exportou 33,8 milhões de toneladas, com receitas de 14,1 mil milhões de dólares, cerca de 12 mil milhões de euros.
Nos quatro primeiros meses deste ano, o Brasil já exportou 7,2 milhões de toneladas de açúcares e melaços, com receitas de 2,7 mil milhões de dólares, o equivalente a 2,3 mil milhões de euros na cotação atual.
Os dados foram compilados pela Lusa a partir da plataforma ‘Comexstat’, sistema oficial de estatísticas do comércio exterior brasileiro.
A Argélia (14,4%), a Arábia Saudita (11,2%) e o Iraque (8,6%) são os principais destinos das exportações brasileiras de açuçares e melaços, enquanto o mercado europeu não chega a 2% do total.
Questionado pela Lusa, o Governo brasileiro informou que não é possível saber qual era o destino da carga de 48 toneladas de açúcar, uma vez que não se trata de um contentor que já possui um destino definido.
“A apreensão foi realizada em um ponto anterior ao terminal de exportação, durante o controlo de qualidade para acesso ao estoque destinado à exportação”, informou o Ministério da Agriculta e Pecuária em comunicado.
Ainda na resposta à Lusa, adiantou que “os estoques são grandes e as cargas vão sendo embarcadas conforme a disponibilidade de atracação dos navios no porto”.
“A carga a granel comporia um lote de exportação e, por isso, não é possível informar exatamente para qual destino seria embarcada”, concluiu.
Caso seja confirmada a presença de matéria estranha em níveis incompatíveis com os padrões regulamentares, informou o Governo brasileiro, a carga poderá ser desclassificada e considerada imprópria para consumo.
A confirmação de fraude também poderá resultar em sanções administrativas e em desdobramentos criminais.
A empresa responsável pela carga, cujo nome não foi revelado, foi autuada e pode ter a carga destruída, segundo o Governo brasileiro, conforme previsto na legislação ambiental vigente.
“Operações de fiscalização são fundamentais para garantir a integridade das cargas exportadas, preservar a confiança dos mercados internacionais nos produtos agropecuários brasileiros e proteger a credibilidade do sistema de fiscalização nacional”, informou o órgão federal em nota.
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