
Setúbal, 13 jun 2021 (Lusa) – O Bloco de Esquerda anunciou hoje que vai pedir a apreciação parlamentar do decreto que regula a lei das minas e acusou o ministro do Ambiente de ser “mais rápido a defender negócios” do que recursos naturais.
Estas posições foram transmitidas pela coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, durante a apresentação do candidato bloquista à presidência da Câmara de Setúbal, Fernando Pinho, num discurso em que também criticou o executivo desta autarquia, de maioria CDU, de ser “centralista” e “aliado” do Governo em vários domÃnios.
“O Governo fez recentemente o decreto que regulamenta a lei das minas, no qual se permite que haja minas mesmo nas áreas protegidas. Permite que se possa ir buscar o lÃtio e outras matérias, tudo o que der para lucrar milhões para alguns, em qualquer zona do paÃs”, apontou.
De acordo com Catarina Martins, “numa afronta à s populações locais, os cidadãos praticamente não são ouvidos quando se decide fazer uma mina seja onde for”.
“Não há qualquer moratória que proteja o mar e os seus recursos. No Bloco de Esquerda, pedimos a apreciação parlamentar desse decreto-lei e vamos mudá-lo, porque queremos defender o futuro. As reservas naturais, as zonas protegidas deste paÃs têm de ser mesmo protegidas. O mar não pode estar a saque”, afirmou.
No seu discurso, com cerca de 15 minutos, Catarina Martins insurgiu-se contra “o modelo de negócio dos milhões rápidos para alguns à conta do futuro de todos”, dando como exemplo as dragagens do Sado.
“O Bloco de Esquerda avisou que estas dragagens eram um perigo. O ministro do Ambiente [João Pedro Matos Fernandes], que é sempre mais rápido a defender negócios do que a defender recursos naturais, dizia em maio do ano passado que estávamos enganados e que tudo corria lindamente”, disse.
No entanto, de acordo com Catarina Martins, “tal não é verdade”.
“Registamos problemas nas praias da Arrábida com as areias. E, em janeiro, o rebentamento de uma bacia com lama das dragagens arrasou uma praia em zona protegida do estuário do Sado, que é classificada pelos ambientalistas como uma espécie de maternidade de biodiversidade na penÃnsula”, assinalou.
Catarina Martins atacou depois “a pressa em fazer negócios e a incapacidade de olhar o futuro”.
“A chantagem é sempre a mesma: Ou aceitamos o negócio de milhões que coloca em risco os nossos recursos naturais, ou virá a desgraça económica ou o desemprego. Mas em Setúbal – por tudo o que foi feito com pedreiras, cimenteiras e dragagens – já sabem todos que não é verdade”, sustentou a coordenadora do Bloco de Esquerda.
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