
Maputo, 08 abr 2026 (Lusa) – O Presidente moçambicano manifestou hoje admiração e elogiou a ‘avó Cecília’, como é conhecida a mulher que criou uma biblioteca móvel em Maputo, pelo impacto positivo desta junto das crianças, encorajando-a a continuar a promover o gosto pela leitura.
Em comunicado, a Presidência moçambicana refere que o chefe do Estado, Daniel Chapo, recebeu hoje, em audiência, Cecília Mate, que tem uma biblioteca móvel em Maputo, “com o propósito de manifestar a sua admiração pelo trabalho que esta desenvolve na promoção do livro e do gosto pela leitura no país”.
A história da biblioteca ambulante, através de um carrinho de mão, da avó Cecília, como é conhecida, foi divulgada na segunda-feira numa reportagem da agência Lusa e, durante o encontro de hoje, o Presidente de Moçambique enalteceu o seu empenho e dedicação, destacando o impacto positivo da sua ação junto das crianças: “nós estamos consigo, vovó Cecília”.
No histórico bairro da Mafalala, Maputo, a avó Cecília criou uma biblioteca móvel que disponibiliza mais de mil livros, incentivando nas crianças o gosto pela leitura.
“Vejo que é necessário, porque a maior parte das crianças e jovens já não têm o gosto pela leitura. Então, estou a incentivar o gosto [pela leitura] à criança”, disse Cecília Mate, 77 anos, em entrevista recente à Lusa, naquele histórico bairro da capital moçambicana.
A ideia surgiu em 2013, quando a avó Cecília, como é tratada localmente, se reformou como bibliotecária na Biblioteca Nacional para aproveitar melhor o tempo. Criou uma biblioteca móvel no histórico bairro da Mafalala, onde nasceu e ainda vive, para incentivar o gosto pela leitura, sobretudo em crianças.
“Em 2013 estava a trabalhar numa escola, estava a ensinar a fazer trabalho técnico de uma biblioteca, então propriamente dito comecei [com a biblioteca móvel] em 2015, andando de rua em rua e, chegando nos sítios, com a minha carrinha e a minha mesa, e nessa altura tinha bancos (…) eu instalava aí e punha os meus livros em exposição e as crianças começavam a ler”, disse.
Agora, avó Cecília sente o peso da idade, com a visão a começar a falhar. Também já não pode mais empurrar o carrinho pelos becos do bairro, estando a guardar parte das centenas de livros do espólio na sua antiga casa, no quarto que era dos seus pais, que transformou em depósito.
É assim que diariamente se junta a menores na rua do Timor, ao ar livre, no coração do bairro da Mafalala, em que coloca cadeiras e bancos para melhor acomodar petizes que ali vão para ter acesso aos mais de mil livros que a avó Cecília tem, desde o infanto-juvenil até livros didáticos da 1.ª até à 12.ª classe do ensino geral.
“A maior parte é oferta da biblioteca nacional, do Ministério da Educação e outras entidades, a Fundação Fernando Leite Couto também fez uma angariação durante um mês para me oferecer alguns livros, mas no princípio os livros eram meus, eu comprava, bastava receber comprava um ou dois”, disse.
Avó Cecília explicou que decidiu incentivar as crianças a gostarem de ler porque “é de pequenino que se torce o pepino” e “porque elas ficam a conhecer-se a si mesmas e ao mundo em geral, porque são várias estórias”.
“As crianças não leem, mesmo estando aqui, só folheiam, querem ver figuras, então eu tenho que estar ao lado e para isso tenho feito concurso de leitura. Quem ler bem ganha um doce, às vezes, ou palmas”, acrescentou.
Para ela, é urgente ter um espaço para armazenar livros que ficam no depósito, muitos deles encaixotados, porque já viu mais de 200 deles serem danificados pela chuva, devido à infiltração das águas no local.
“Gostaria de ter uma biblioteca comunitária avó Cecília, mas também essa biblioteca junto a um centro cultural para várias atividades para a minha comunidade da Mafalala”, disse.
Para materializar o propósito, conta com apoio da Universidade Eduardo Mondlane através da Escola de Comunicação e Artes (ECA), do projeto Utopia e da estrutura do bairro que todos buscam financiamentos.
PME // ANP
Lusa/Fim
