Autoridades resgatam mais 236 migrantes a caminho das Canárias

Tenerife, Espanha, 04 nov 2026 (Lusa) — Duas pequenas embarcações com 236 pessoas a bordo chegaram à ilha espanhola de El Hierro enquanto outras duas estão a ser resgatadas a sul da mesma ilha, avançaram hoje as autoridades de resgate marítimo.

O primeiro desembarque foi registado cerca das 23:30 locais (22:30 em Lisboa) de terça-feira, tendo desembarcado 111 pessoas que estavam num bote frágil (conhecidos como ‘cayunos’) a cerca de 7,4 quilómetros da ilha do arquipélago das Canárias.

Mais tarde, às 01:45 locais (00:45 em Lisboa), chegou uma segunda embarcação com 125 pessoas a bordo.

Este barco tinha sido localizado a cerca de 18,5 quilómetros a sul de El Hierro.

As equipas continuam a fazer resgates de migrantes que tentam chegar a Espanha através do mar e, às 08:40 (07:40 em Lisboa), o Serviço de Salvamento Marítimo estava a ajudar outras duas embarcações com migrantes, uma localizada a cerca de 22 quilómetros e a outra a cerca de 26 quilómetros a sul da mesma ilha.

Neste momento, a contagem provisória é de 236 pessoas que desembarcaram dos dois primeiros barcos, aguardando-se o anúncio do número de ocupantes dos outros dois barcos.

Desde o fim de semana passado, já entraram nas ilhas de El Hierro e Lanzarote, ambas nas Canárias, mais de 750 pessoas através da rota do Atlântico.

Esta rota de migração, que parte de Marrocos e Saara Ocidental, no caminho mais curto, e da Mauritânia, Senegal, Gâmbia e Mali, nas travessias mais longas, é considerada uma das mais perigosas do mundo, com as travessias a poderem demorar vários dias ou mesmo semanas em mar aberto.

O Atlântico é conhecido pelas suas correntes violentas e há registos de embarcações encontradas meses depois do outro lado do mundo (como no Brasil ou nas Caraíbas) com todos os ocupantes mortos.

Nos últimos dois anos registou-se uma diminuição do número de travessias em direção às Canárias, em comparação com os recordes históricos de 2023 e 2024, mas a letalidade da rota aumentou, devido à abertura de trajetos mais longos e perigosos (como os que partem da Guiné-Conacri ou da Gâmbia).

As estimativas apontam que, em 2025, chegaram às ilhas espanholas 17.788 migrantes irregulares, a bordo de 263 embarcações, sendo que, este ano, o número apresentado pela ONU é de 416 mortos ou desaparecidos no mar.

No entanto, a organização não-governamental (ONG) Caminando Fronteras documenta 1.906 mortes nesta rota atlântica só em 2026.

O fluxo de embarcações na rota costuma intensificar-se no outono, sendo que, desde outubro, já foram contabilizadas mais de 5.000 chegadas.

O Projeto Migrantes Desaparecidos da Organização Internacional para as Migrações (OIM) regista pelo menos 4.857 mortes e desaparecimentos oficiais entre 2014 e meados de 2024, mas a própria agência reconhece que o número real deverá ser substancialmente maior.

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