Augusto Santos Silva: Presidente da assembleia de visita ao Canadá

FOTO: CMCTV
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O presidente da Assembleia da República portuguesa, Augusto Santos Silva, esteve de visita ao Canadá no passado sábado, 13 de Maio. O presidente fez questão de celebrar ao lado dos luso-canadianos os 70 anos da imigração portuguesa no Canadá, marcada pela chegada do Navio Satúrnia no dia 13 de Maio de 1953 em Halifax.

O presidente participou da inauguração do obelisco ‘Anjo da Guarda’ em Little Portugal. O monumento, criado pelo artista português Paulo Neves, celebra os pioneiros portugueses que chegaram ao Canadá.

Durante sua visita, o presidente conversou com a equipa do CMC sobre o futuro da comunidade portuguesa no país. Ressaltou o regresso de luso-canadianos a Portugal e a importância das novas gerações.

“Eu creio que a imigração vai continuar nos dois sentidos, há muitos canadianos que vão para Portugal como turistas, para trabalhar ou viver a sua reforma. A comunidade vai crescer aqui através da sua terceira, quarta e quinta gerações, mas sempre com a característica que já pontuou durante estes 70 anos já transcorridos, isto é, a melhor das harmonias, a boa colaboração, e o bom entendimento entre as duas comunidades, os portugueses e os canadianos.”

Sobre a atual crise económica e política em Portugal, Santos Silva aludiu à recuperação económica do país. “Não devemos confundir as espumas dos dias com o que realmente acontece. Portugal vive dificuldades, que resultam da guerra da Rússia e da Ucrânia, porque fez disparar o preço dos alimentos, da energia, e, portanto, vivemos um contexto de inflação grande. Estão a ser tomadas medidas, e para muitos portugueses, os preços já estão a cair.”

O presidente protagonizou alguns momentos de tensão na Assembleia com o partido de extrema direita português, o Chega. Recentemente, entrou em embate direto com parlamentares que criticavam a visita do presidente brasileiro, Luiz Inácio Lula da Silva, à assembleia portuguesa. Augusto Santos Silva falou com severidade aos políticos do Chega e exigiu cortesia e educação. “Chega de insultos, chega de degradarem as instituições, chega de envergonhar o nome de Portugal. Chega de degradarem as instituições!”, exclamou nesse momento. Para o presidente, é necessária moderação.

“Portugal tem grupos políticos, assim como o mundo ocidental também os tem, que são característicos pela sua radicalização à direita. Eu não quero individualizar, porque, como presidente do Parlamento, trato todos os políticos de forma igual, mas digo que quanto mais conseguirmos responder às necessidades das pessoas, mais a moderação continuará a ser aquilo que tem sido em Portugal, que é uma característica prezada pelos portugueses e que os partidos que vão alternando no Governo cumprem.”

No discurso de encerramento do evento, o presidente da Assembleia da República ressaltou os laços de amizade entre Canadá e Portugal e lembrou das alianças militares e económicas entre os dois países.

“Nunca devemos esquecer que nós somos aliados na NATO. Qualquer ataque ao Canadá será considerado um ataque a Portugal e qualquer ataque a Portugal será considerado um ataque ao Canadá. E nós temos relações bilaterais que só têm crescido, designadamente porque nós fomos um dos primeiros países a ratificar o novo acordo de comércio e investimento entre a União Europeia (UE) e o Canadá. E desde esse momento, o comércio bilateral tem crescido imensamente. Mas o cimento, a argamassa principal que explica este edifício sólido que são as relações entre Portugal e Canadá, são as senhoras e os senhores: os milhares de portugueses no Canadá.”